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Colunistas A lambança do Master

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(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O lulopetismo e o bolsonarismo, como é natural, procuram atribuir ao inimigo a lambança do Banco Master e Daniel Vorcaro. Afinal, é o maior escândalo de corrupção depois do Petrolão. O percentual de eleitores que considera a corrupção um dado essencial para o voto em outubro pode fazer a diferença em outubro.

O governo Lula, o PT, só aparecem na foto pontualmente. Não é que não mereçam citação, mas é preciso forçar a barra para dizer simplesmente que as estripulias de Vorcaro alcançam na mesma proporção todas as forças políticas.

Já as digitais da oposição estão bem definidas no escândalo. A começar pelo notório Ciro Nogueira, senador do PP, presidente do partido, ex-ministro de Bolsonaro, bolsonarista de carteirinha: foi contratado por Vorcaro para defender os interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Como todos os corruptos da atualidade quando acusados, Nogueira diz que tudo é obra dos adversários e que querem atingir a sua honra. A honra de Nogueira era precificada: R$ 300 mil por mês.

Um dos serviços prestados por Nogueira – que chegou a ser cogitado como candidato a vice de Flávio Bolsonaro – foi o de apresentar uma emenda legislativa que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão de reais o valor de garantia de aplicações financeiras, em caso de quebra de instituição bancária.

Mas a cereja do bolo, foi a conversa de Flávio Bolsonaro em pessoa, com o banqueiro escroque, Daniel Vorcaro. O detalhe que chama a atenção é a intimidade entre os dois personagens. Flávio agradece comovido os préstimos daquele que chama de irmão.

Não é para menos: Vorcaro abriu a mão de R$134 milhões (não pagou tudo) para o financiamento de uma produção cinematográfica, a biografia de Jair Messias Bolsonaro, a trajetória de militar e deputado federal até alcançar a presidência.

A primeira reação foi a de sempre, o espanto de quem sofreu uma injustiça, a suposta coragem cívica, o patriotismo acendrado: ninguém me calará, ninguém me intimidará, ninguém me tirará do rumo de servir ao país, disse o cara de pau.

É digna de nota essa atitude altaneira, de quem não tem nada a ver com isso, de que não é culpado, mas vítima, desempenho digno de ator vencedor de Oscar.

Mas é claro que ele sabe muito bem o que fez no verão passado. As negativas e as bravatas regulamentares tiveram de mudar diante da evidência escancarada. Passou-se a dizer que se tratava de negócio privado, que nada tinha de recursos públicos na transação.

Nem lembraram que, nesse caso, se essa for a desculpa, então não há nada a falar do contrato milionário da esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes com Vorcaro e Banco Master: também era dinheiro “privado”.

É claro: trata-se de saber quem usufruiu das delícias do jardim de Vorcaro, quem era do time do escroque, quem privava de sua amizade a ponto de chamá-lo de irmão.

Agora, entrou na dança mais um ilustre membro do clã Bolsonaro, Eduardo: Nos EUA, para onde se mandou na aventura temerária de prejudicar o governo Lula junto ao governo Trump, ele mora numa casa de propriedade do fundo financeiro que intermediou a verba cinematográfica com o Banco Master.

Ou seja, sujou completo.

(titoguarniere@terra.com.br)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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