Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 11 de agosto de 2015
Toronto, no Canadá, tem um recorde no Guinness Book difícil de ser batido. A cidade tem o maior complexo subterrâneo do mundo de galerias comerciais, chamado “Path” (caminho, na tradução livre). São 30 quilômetros de corredores, como em um shopping center. Na verdade, é uma cidade agitada, embaixo da terra, que viabiliza a vida comercial durante os meses mais frios do ano.
Pode fazer muito frio no Canadá durante cinco meses. Nesse período, a temperatura é quase sempre negativa e não incentiva ninguém a sair de casa ou do trabalho para um almoço ou ir ao cabeleireiro, por exemplo.
Por essa razão, 200 mil pessoas usam o subterrâneo de Toronto diariamente. Os números são ainda mais impressionantes. Cerca de 1,2 mil estabelecimentos comerciais que empregam 5 mil funcionários dão vida a esse complexo, que conecta tudo na parte mais central da cidade. Seis estações de metrô, 50 prédios comerciais, oito dos hotéis mais importantes, duas lojas de departamentos, seis estacionamentos e mais de 100 entradas pelas ruas completam as cifras que definem essa cidade sob o solo.
Complexo foi construído no século passado.
Mas o mais impressionante é que tudo isso começou a ser feito em 1900, e em 1917 já havia cinco túneis no coração da cidade. Mais impressionante ainda é que a iniciativa privada esteja por trás de tudo isso.
Quem mora perto de uma estação de metrô e trabalha no centro pode passar semanas ou até meses sem colocar o nariz para fora de casa mais do que poucos minutos. “Paro o carro no estacionamento coberto e o dia todo é aqui embaixo durante o inverno. Faço absolutamente tudo. Trabalho, almoço, faço compras, vou à academia e ao cabeleireiro sem sentir nada de frio. E sem ver muito a cor do céu”, testemunha a canadense Susan Acker.
Andar pelos corredores é como descobrir uma cidade nova. E como em uma cidade nova, é fácil se perder. Você entra, anda, anda, pega o metrô, desce umas quatro estações adiante, anda, anda e, quando resolve colocar o nariz para fora, pode não fazer ideia alguma de onde está.
E não são apenas os turistas que correm esse risco, muitos moradores do lugar ainda reclamam de desorientação. “São caminhos sem fim. É fácil de se perder se você não está acostumado”, alerta Ashley Bentley.
O espanhol Pedro Padron vive em Toronto há 15 anos, cinco no centro da cidade, e já se acostumou com os labirintos do Path, mas não com o inverno, que “odeia”. “É o único jeito de ir à academia [andar pelos corredores subterrâneos]. Uso também para sair. É bem sinalizado, ainda que seja meio sufocante e que a gente perca um pouco o senso de direção. No inverno, parece que a cidade inteira está embaixo da terra, fica lotado.”
Fica lotado porque tem de tudo mesmo. Banco, alfaiataria, antiquário, agência de viagem, restaurantes, cafés, lojas de bebida, lojas de departamento.
Porém, antes do inverno, o movimento é tranquilo. Todo mundo quer aproveitar ao máximo os poucos meses em que as temperaturas mais amenas ocorrem no Canadá e que o sol brilha até as 21h. (Folhapress)
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