Segunda-feira, 04 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de junho de 2019
“Existe algum, entre os 11 ministros do Supremo, evangélico?” A resposta ao questionamento feito ontem pelo presidente Jair Bolsonaro é não. Dos 11 ministros da Corte, sete são adeptos da religião católica, incluindo o atual presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, e sua antecessora no comando da Corte, ministra Cármen Lúcia.
Além de Cármen e Toffoli, são católicos os ministros Edson Fachin (relator de uma das ações sobre a criminalização da homofobia), Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes. Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso e Luiz Fux são judeus. Os ministros Celso de Mello e Rosa Weber não informaram as suas religiões, mas nenhum dos dois é evangélico.
No plenário do STF há um crucifixo, o que, na visão de Marco Aurélio Mello, “até certo ponto conflita com o Estado laico”. O ministro se define como católico apostólico romano, “muito embora não frequente costumeiramente a igreja”. “A fé que temos de manter sempre, ela é que nos dá esperança de dias melhores”, afirmou. “É preciso que, no que fazemos, estejamos sempre abençoados até para sair à rua.”
Ensino religioso
As crenças religiosas já foram debatidas no plenário do Supremo, no julgamento (concluído em setembro de 2017) em que o STF decidiu que o ensino religioso em escolas públicas, que é facultativo, pode estar ligado a uma crença específica. E não há impedimento para que um religioso, um padre ou pastor, por exemplo, dê a disciplina. “O Estado brasileiro não é inimigo da fé”, disse Toffoli na época. O placar foi apertado: 6 a 5.
Bolsonaro
Ao deixar o Palácio da Alvorada para um almoço neste sábado (1º), o presidente Jair Bolsonaro perguntou a apoiadores que o cumprimentavam se haviam gostado da possibilidade de ele indicar um evangélico como ministro do Supremo Tribunal Federal. “Gostaram do evangélico no Supremo? Gostaram?”, perguntou o presidente. “É uma bênção”, respondeu uma mulher.
Na sexta-feira (31), em Goiânia, Bolsonaro questionou se não estava na hora de a Suprema Corte ter um magistrado evangélico. “Não me venha a imprensa dizer que eu quero misturar a Justiça com a religião. Todos nós temos uma religião ou não temos. Respeitamos e tem que respeitar. Será que não está na hora de termos um ministro do Supremo Tribunal Federal evangélico?”, perguntou o presidente, aplaudido de pé por fiéis que participaram da Convenção Nacional das Assembleias de Deus, em Goiânia.
Bolsonaro deixou o Alvorada por volta de 12h30min rumo a uma quadra residencial no Lago Sul, área nobre da capital Brasília. Na saída ele não havia informado o destino. Só no local, os jornalistas descobriram que Bolsonaro é um dos convidados pelo dono da casa, que não quis se identificar, para um churrasco.
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