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Brasil A mais jovem presidente da história do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística precisará enfrentar a desconfiança inicial de parte dos técnicos da casa, que a considera “jovem demais” para o cargo e inexperiente no campo das estatísticas

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Pesquisadora é PhD em Ciências Políticas pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e fez mestrado em Harvard (Foto:Divulgação)

Mais jovem presidente da história do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economista Susana Cordeiro Guerra, 37 anos, precisará enfrentar a desconfiança inicial de parte dos técnicos da casa, que a considera “jovem demais” para o cargo e inexperiente no campo das estatísticas.

Servidores ouvidos pelo Valor, de analistas a gerentes, demonstraram ainda preocupação com a troca de comando a pouco mais de um ano do Censo Demográfico 2020, maior operação do instituto nesta década, com orçamento de R$ 3,5 bilhões e previsão de contratação de cerca de 240 mil temporários.

“O Censo é um período delicado porque envolve uma força-tarefa muito grande. E, pelo currículo, ela não tem afinidade com área estatística, não é o perfil que sempre tivemos na presidência”, disse um servidor. “Isso não quer dizer que ela não será capaz, mas existe uma incerteza.”

Para eles, Susana precisará demonstrar capacidade de articulação política para enfrentar o histórico problema orçamentário do órgão. O quadro de servidores encolheu de 8 mil pessoas em 2010 para atuais 4,9 mil. O instituto tem solicitado ao governo, ano após ano, sem sucesso, a contratação de 1.800 servidores.

Nascida em San Francisco (EUA), foi criada no Rio e pertence a uma família com negócios no ramo imobiliário. Estudou na Escola Americana do Rio a maior parte da vida, onde foi uma aluna com perfil considerado engajado – representante de sala, presidente do grêmio, capitã do time de vôlei, basquete e futebol.

Formada na universidade de Harvard em 2003, Susana fez doutorado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Seu trabalho foi em parte direcionado para a melhora da gestão do setor público, o que poderá ser um dos seus focos no IBGE. Eficiência tem sido um dos mantras do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Nas últimos meses, um dos temores de técnicos do IBGE era a indicação de alguém “muito fora da curva”, que buscasse interferir na produção de estatística. Essa preocupação foi crescente após o então presidente eleito, Jair Bolsonaro, ter criticado cálculos de desemprego do órgão. Nesse sentido, o nome de Susana foi recebido com certo alívio.

“Não existe referência exótica ou muito fora da curva sobre ela. Não tem histórico de posições polêmicas, tudo ajuda. Pareceu uma pessoa ‘normal’, digamos assim. O que talvez ela não tenha no currículo é a experiência em gestão. Só após alguns meses no cargo, conseguiremos avaliar”, disse outro servidor.

Parte dos técnicos teve reações mais positivas. Uma servidora elogiou a simples oxigenação dentro do instituto. “Ser mulher, nova e com bom currículo acadêmico, novos ares”, disse a analista. “A reação foi positiva para quem quer uma mudança. Neste sentido, foi uma notícia positiva”, acrescentou.

O fato de ser uma “outsider”, alguém de fora da instituição, não chegou a incomodar. O economista Sergio Besserman foi presidente do IBGE no governo FHC e não era dos quadros técnicos. “Já tivemos uma presidente que, apesar de técnica de carreira do órgão, tinha a política de fazer mais com menos”, disse Paulo Lindesay, diretor do Sindicato dos Servidores do IBGE.

O IBGE e o governo ainda não definiram a data de posse de Susana. A economista, porém, tem mantido contato com o ex-presidente do IBGE, Roberto Olinto, que permanecerá no instituto em cargo a ser definido. Nos próximos dias, ele deve se reunir com diretores do IBGE. A ideia é se informar sobre o órgão neste primeiro momento.

Desde a indicação de Susana ao cargo, uma foto da economista ao lado da filha do ministro Paulo Guedes tem circulado pelas redes sociais. Elas seriam amigas. Em nota, o Ministério da Economia descartou motivação pessoal na indicação, que considerou a “competência técnica e currículo”, “critérios como integridade e vontade de ajudar a transformar o País”.

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