Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de março de 2019
Arthur Araújo Lula da Silva, de 7 anos, morto por meningite meningocócica, tornou-se o novo retrato de uma doença que surpreende por seu grau de letalidade. Dados preliminares do Ministério da Saúde registram 1.100 casos e 222 óbitos provocados pela enfermidade bacteriana em 2018.
Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Isabella Ballalai diz que o intervalo entre a manifestação dos primeiros sintomas e o óbito pode ser inferior a 24 horas. Arthur, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, morreu menos de cinco horas após dar entrada em um hospital em Santo André, no ABC paulista.
“Normalmente, o paciente tem mal estar, vômito, febre, sonolência, rigidez da nuca e manchas no corpo”, explica Isabella. “Arthur teve o sorogrupo C da meningite meningocócica, que é responsável por mais de 70% dos casos letais. Mesmo os sobreviventes podem ter complicações como necrose e amputação de membros.”
Todas as faixas etárias podem ser acometidas pela doença, que é considerada endêmica e tem surtos e epidemias ocasionais. O risco de adoecimento é maior entre crianças menores de 5 anos de idade. A prevenção é feita pela administração da vacina meningocócica C, recomendável para jovens de até 14 anos.
“A vacina não protege por mais de quatro ou cinco anos, e sua renovação é necessária para mantermos um alto nível de anticorpos”, ressalta Isabella. “Os adultos também podem se vacinar, mas, entre eles, é muito menor a chance de transmissão, que, na forma bacteriana da doença, ocorre principalmente por vias respiratórias.”
Quem causa a meningite?
Quando a origem é bacteriana, as principais causadoras são as bactérias meningococo e pneumococo. Quando a meningite é viral, há uma gama de vírus causadores – incluindo os responsáveis por gripe, sarampo e herpes. Há também casos de meningite causada por medicamentos.
Quais os sintomas?
Dor de cabeça, vômitos, rigidez na nuca e no pescoço (o paciente não consegue baixar a cabeça), cansaço e febre alta. A doença tem alta taxa de sequelas – entre elas, surdez, perda dos movimentos, confusão mental, paralisia e problemas de raciocínio.
Como é a transmissão?
Por saliva, seja por tosse, espirro ou contato em ambientes fechados e aglomerados.
Como é o tratamento?
Quando a meningite é causada por bactéria, o tratamento é com antibiótico. Quando é causada por vírus, médicos usam, em alguns casos, antiviral, ou, em outros, aguardam a passagem de sintomas, como no caso da gripe.
Há sequelas?
Como a inflamação ocorre no sistema nervoso central, as sequelas dependem de qual área do cérebro foram afetadas pela bactéria ou pelo vírus. Entre os riscos, estão epilepsia, paralisia cerebral e problemas permanentes de fala, compreensão e raciocínio.
Quem são as principais vítimas?
Crianças, por conta dos hábitos de colocar tudo na boca. Adultos, porém, também podem ser vítimas, uma vez que a transmissão ocorre em locais fechados e por saliva.
Existe vacina?
Sim. Há vacinas na rede pública e privada contra a meningite bacteriana causada por pneumococo e meningococo. A meningite viral pode ser causada por centenas de vírus, mas há vacinas que imunizam contra alguns causadores – caso do sarampo, por exemplo.
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