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Brasil A mulher do presidenciável Jair Bolsonaro deverá participar da campanha eleitoral do marido discretamente

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Bolsonaro e Michelle casaram numa mansão de festas diante de 150 convidados no Rio. (Foto: Reprodução/Facebook)

Com as mãos unidas em formato de coração, ela deu um leve sorriso ao chegar ao centro do palco e parar ao lado de Jair Bolsonaro. Ao lado e um passo atrás.

“Em grande parte, é ela a minha âncora”, disse o pré-candidato a presidente, virando para a mulher, Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro. Ela devolveu com um olhar profundo.

Foi a mais recente das raras aparições de Michelle com o candidato. Aconteceu em 29 de abril, no Congresso dos Gideões, encontro evangélico anual em Santa Catarina.

Compenetrada no discurso, ela respondia “amém”, baixinho, em certos momentos — por exemplo, quando o marido disse que sua filha “vai ser mulher” e que seus filhos “são homens”, numa crítica à chamada “ideologia de gênero”. De acordo com relatos, a discrição é o traço mais notório da aspirante a primeira-dama.

A mulher que divide com Bolsonaro o teto de uma casa em um condomínio na orla da praia tem 36 anos e está com ele, de 63, desde 2007. É tida na vizinhança e nos locais que frequenta como reservada, simpática e religiosa. E uma parceira que não se mete na carreira do marido.

Segundo aliados do pré-candidato, o papel dela na campanha será o de coadjuvante. “Ele não pretende usá-la”, diz o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF). “Mas ela deve acompanhá-lo em alguns compromissos. Acredito que ele queira preservá-la”, afirma

Michelle é fiel da Igreja Batista Atitude, cuja sede fica a cerca de 25 minutos de carro de sua casa. Às vezes, Bolsonaro, que se declara católico, acompanha a mulher nas idas ao templo, onde o salão principal comporta 4.500 pessoas sentadas.

Michelle ora e também malha — embora colegas da unidade da Bodytech que fica na avenida de sua casa digam que ela anda sumida. Ali faz ginástica localizada e musculação, geralmente pela manhã.

Frequentadoras contam que ela não alardeia o parentesco nem comenta as atividades do companheiro. Mas, como esperado, a informação de que ela é quem é correu rápido no boca a boca. Na academia, se especula que a aluna está mais reclusa à medida que o foco se volta para o presidenciável.

No início de abril, depois que o UOL publicou uma longa reportagem sobre ela, apagou seu perfil no Facebook. Há poucos rastros seus na rede.

Casamento

Um deles é a reprodução de uma revista de noivas que estampou Michelle na capa em 2013. Naquela edição, a Festejar Noivas mostrou detalhes do casamento com o político. A cerimônia foi realizada seis anos depois da união no civil.

Fotos retratam um emocionado Bolsonaro (ele até chorou) ao lado daquela que é sua terceira esposa. Ele escreveu na revista que se aproximou dela porque resolveu “novamente buscar a felicidade”. Tinha se separado da advogada Ana Cristina Valle meses antes.

Michelle relatou nas páginas: “Um amor que foi conquistado aos poucos, mas hoje posso dizer, sem dúvidas, que ele é meu grande amor!”. Contou que se viram pela primeira vez “no gabinete do Jair”.

Nascida em Ceilândia, no Distrito Federal, a noiva era secretária parlamentar na Câmara quando conheceu o futuro marido. Meses depois, foi trabalhar no gabinete dele, durante um ano.

A contratação e a promoção fizeram Michelle ter seu salário quase triplicado em relação à função anterior, na liderança do PP. A demissão veio em 2008, forçada pela regra antinepotismo.

O casamento foi celebrado pelo pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, igreja da qual a noiva fez parte até 2016. A filha do casal estuda em um colégio particular na região de casa. Às vezes os pais a levam, mas geralmente a menina vai no micro-ônibus de uma empresa de transporte escolar que é do ex-BBB Daniel Manzieri. Ele, que foi confinado no Big Brother Brasil em 2016, virou pessoa de confiança do casal.

Em uma gravação, no YouTube, Bolsonaro aparece abraçado à filha dizendo que não a coloca em escola pública porque o currículo não é o mesmo da época dele, quando se “tinha educação de qualidade”.

O deputado tem aludido ao DNA da esposa para se defender da acusação de ser racista. Tenta dissipar a polêmica repetindo que seu sogro, por causa da cor da pele, é conhecido em Ceilândia como Paulo Negão. Procurado, o pai de Michelle não quis se pronunciar.

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