Quinta-feira, 25 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 22 de novembro de 2018
O Conselho de Administração da Nissan decidiu afastar o brasileiro Carlos Ghosn da presidência do órgão nesta quinta-feira (22). Ele está preso sob suspeita de sonegação e fraude fiscal. Além do afastamento de Ghosn, também foi aprovada a remoção de Greg Kelly do cargo de diretor representativo.
A Nissan afirmou que criará um comitê especial para buscar um substituto para o executivo, além de viabilizar uma comissão especial de governança para os próximas presidências. De acordo com a montadora, a parceria com a Renault continua inalterada e sua missão é “minimizar o potencial impacto” na cooperação das marcas.
Ghosn é acusado de não declarar mais de 5 bilhões de ienes (o equivalente a R$ 167,4 milhões). As fraudes fiscais ocorreram entre 2010 e 2015, diz a promotoria japonesa.
Natural de Porto Velho (RO), Ghosn foi presidente da montadora japonesa entre 2001 e 2017. Ele deixou o cargo no ano passado para cuidar das parcerias com a Renault e a Mitsubishi. Um raro executivo estrangeiro no topo da carreira no Japão, Ghosn tirou a Nissan da beira da falência.
Fusão
Preso na segunda-feira (19), o brasileiro Carlos Ghosn estaria planejando uma fusão entre Renault e Nissan antes de ser detido no Japão, mas o Conselho da montadora japonesa era contra, conforme informações do jornal Financial Times. Os rumores de uma possível fusão das montadoras, que atualmente são apenas aliadas, não são novidade. Em março, as agências Bloomberg e Reuters noticiaram que as negociações existiam, com base em fontes.
Atualmente, a Renault detém 43,4% da Nissan, que, por sua vez, possui 15% da Renault. Há quase 20 anos, as montadoras compartilham tecnologia, partes da produção e mesmo partes de carros. Segundo o Financial Times, Ghosn planejava uma aliança “irreversível” que aconteceria já nos próximos meses, caso fosse oficializada. Fontes ligadas à Nissan, contudo, relataram ao jornal que o conselho da fabricante buscava maneiras de parar as negociações.
Pessoas próximas ao executivo e ao presidente da Nissan, Hiroto Saikawa, disseram que as tensões entre eles se acentuaram nos últimos tempos com o desejo de fusão de Ghosn.
Renault
O governo da França pediu na terça-feira (20) uma liderança interina na Renault, depois que o presidente da empresa, o brasileiro Carlos Ghosn, foi preso no Japão. Além de presidente da Renault, ele também preside a Aliança Nissan-Renault. O executivo foi acusado de fraude fiscal ao ter omitido ganhos das autoridades japonesas enquanto era presidente da Nissan, cargo que ocupou até o final do ano passado.
O ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, disse que pretende pedir ao conselho da Renault a instauração de uma “governança interina”. “Ele está incapacitado de comandar a empresa”, disse Le Maire a uma rádio francesa. De acordo com Le Maire, o governo francês, que tem 15% das ações da Renault, não pretende retirar Ghosn do conselho consultivo da empresa porque ainda não há condenação formal ou provas.
Os comentários estão desativados.