Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de junho de 2018
A Operação Lava-Jato, da PF (Polícia Federal) derrubou o desempenho da construção civil no Brasil e agora atrapalha a recuperação do setor. A conclusão faz parte de estudo da IFI (Instituição Fiscal Independente), do Senado, publicado no último dia 11 de junho. De acordo com a pesquisa, desde o início de 2014, quando começaram as fases mais ostensivas da operação, a indústria da construção civil apresentou 14 trimestres de resultados negativos, com impacto negativo de 0,9 ponto percentual por trimestre.
O estudo analisa que, mesmo depois da recessão econômica de 2015-2016, o desempenho da construção civil permanece como “fator limitante” à recuperação do PIB (produto interno bruto) da indústria e da atividade econômica do setor. O leve crescimento visto no primeiro trimestre deste ano deve-se à indústria de transformação, diz o IFI.
De acordo com o levantamento, a Operação Lava-Jato começou a mudar os rumos da construção civil quando foi descoberto que grandes construtoras subornaram diretores de estatais para superfaturar contratos. A partir de então, segundo o estudo, houve uma queda nos investimentos públicos em obras, os bancos dificultaram o crédito e consequentemente a receita dessas empresas também diminuiu. Como elas têm grande participação no setor, a crise alcançou a construção civil como um todo.
Recuo
O resultado já era esperado. De acordo com a última edição da Paic (Pesquisa da Indústria da Construção Civil), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada em junho do no passado, o setor de infraestrutura foi quem puxou para baixo o desempenho da construção civil em 2014 e 2015.
Segundo o estudo, depois de recuar 9,6% em 2014, primeiro ano da Lava-Jato, a geração de riqueza da construção civil caiu mais 7,8% um ano depois. Uma queda de R$ 14,6 bilhões em um ano, resultando num PIB de R$ 172,6 bilhões.
O resultado foi resultado da queda do PIB do setor de infraestrutura, que envolve a construção de barragens, rodovias, portos, aeroportos e subestações de energia, entre outros. “As obras de infraestrutura são influenciadas pelos desembolsos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]que reduziram nominalmente 20%, passando de R$ 69 bilhões, em 2014, para R$ 54,9 bi em 2015”, afirmou a pesquisa.
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