Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de dezembro de 2020
Uma nova mutação da covid-19 observada no Reino Unido acendeu outra preocupação para com a doença no mundo, e já fez com que ao menos 27 países proibissem voos originados do epicentro na região da Europa.
Um dos pontos principais, segundo a epidemiologista da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, é que ainda não é possível prever nenhum impacto nas vacinas desenvolvidas contra a doença.
Apesar da variante ser 70% mais contagiosa do que a cepa original, não foi constatado se ela apresenta aumento na severidade da doença, informou Van Kerkhove.
Até o momento, ao menos outros quatro países identificaram casos ligados à nova variante: Austrália, Dinamarca, Holanda e Bélgica.
No Reino Unido, a variante pode ter surgido em meados de setembro no Sudoeste do país. Desde esse período, foi observado um aumento de 1.1 para 1.5 na taxa de transmissibilidade. “O vírus apresenta mutações o tempo inteiro. Mas o que é interessante desta cepa específica é que é uma combinação de mutações: é mais de uma”, disse a epidemiologista.
Apesar da nova variante ainda estar sob estudo e análises, Van Kerkhove alegou que os cuidados para qualquer cepa da covid-19 permanecem os mesmos: uso de máscara, distanciamento social e a prevenção contra aglomerações.
Novas restrições
O Reino Unido classificou a nova variação como “fora de controle”.
O sinal amarelo provocou uma reação em cadeia, com diversos países anunciando restrições a viajantes oriundos do Reino Unido e de outras nações onde há indicativos ou casos confirmados dessa mutação do novo coronavírus.
A Holanda adotou uma das restrições mais longas, decidindo que voos oriundos do Reino Unido estarão impedidos de pousar no país até o final de 2020. O governo holandês afirmou que a cepa foi identificada em um paciente, diagnosticado no início de dezembro, e que está investigando se há outros casos.
O primeiro-ministro da França, Jean Castex, anunciou uma suspensão de 48 horas de viagens entre os dois países por todos os meios de transporte.
O governo da Irlanda tomou medida semelhante. O país anunciou a suspensão dos voos “pelos interesses de saúde pública”, inicialmente nessa segunda (21) e terça-feira (22). O mesmo na Bélgica. Segundo o primeiro-ministro Alexander De Croo, os belgas determinarão o bloqueio aéreo por 24 horas e reavaliarão se será necessário prorrogar.
No caso de Israel, a decisão vai além. O país optou por restringir os voos não só do Reino Unido, mas também da Dinamarca e da África do Sul, onde a nova mutação também teria sido registrada. A Arábia Saudita suspendeu todos os voos internacionais ao país, independentemente da origem, por ao menos uma semana.
A Espanha reforçará a exigência e a conferência dos testes do tipo PCR, obrigatórios para entrada no país, dos passageiros britânicos. El Salvador fechará as fronteiras para o Reino Unido e a África do Sul.
Em solo britânico, o primeiro-ministro Boris Johnson fez um recuo brusco na reabertura do país e anunciou uma série de novas restrições, a fim de conter a disseminação do novo coronavírus.
O primeiro-ministro vinha indicando que iria no sentido contrário, flexibilizando as orientações com a proximidade das festas de final de ano. “Isso agora está se espalhando muito rápido”, alertou Johnson. “É com o coração muito pesado que digo que não podemos continuar com o Natal como planejado.”
Como quase tudo que diz respeito à pandemia, as decisões políticas estão tendo de ser tomadas com o carro andando, quando ainda não se sabe tudo a respeito dos desafios pela frente. Até agora, o panorama é de uma contaminação mais rápida, mas não mais mortal ou imune a uma vacina.
“Existe alguma evidência de que esta cepa pode ser mais infecciosa. Não há evidência de que seja mais mortal e não há evidência de que será mais resistente a uma vacina”, resumiu, em entrevista à analista da CNN Abby Philip, o médico Ashish Jha, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Brown.
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