Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 31 de março de 2021
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta quarta-feira (31), uma nota desaconselhando o uso da ivermectina por pacientes com covid-19. A entidade disse que as evidências sobre o uso do medicamento no tratamento da covid-19 são “inconclusivas” e que o remédio só deve ser usado dentro de estudos clínicos.
A recomendação se aplica a pacientes com covid-19 em qualquer grau de severidade da doença e agora faz parte das diretrizes da OMS sobre tratamentos para a doença.
A entidade disse que um painel internacional independente de especialistas foi designado para desenvolver diretrizes acerca do remédio “em resposta ao aumento da atenção internacional sobre a ivermectina como um tratamento potencial para covid-19.”
A nota da OMS informa que o grupo revisou dados de 16 ensaios clínicos randomizados, totalizando 2.407 pacientes com covid-19 internados ou em cuidados ambulatoriais. Alguns desses ensaios compararam a ivermectina com outras drogas. A conclusão é que as evidências sobre os benefícios da ivermectina são de “certeza muito baixa” porque os estudos são pequenos e há limitações metodológicas dos dados de ensaios disponíveis.
O painel não analisou o uso de ivermectina como forma de prevenção à covid-19 e a OMS informou que esse uso não está listado em suas diretrizes de combate ao coronavírus. Na nota, a entidade ainda reforça que há uma “forte recomendação” contra o uso de hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento da covid.
No Brasil, um grupo de associações médicas divulgou uma nota, na semana passada, defendendo que medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como a ivermectina e a cloroquina, tenham sua utilização “banida”. Os remédios citados são defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro.
Segundo médicos do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e do hospital da Universidade de Campinas (Unicamp), o uso indiscriminado de medicamentos do chamado “kit Covid”, como a ivermectina, levou ao menos quatro pacientes a desenvolverem graves de lesões no fígado, que demandam até necessidade de transplante.
O número de estudos comparando ivermectina com placebo “é muito menor”, disse o Bram Rochwerg, pesquisador da Universidade McMaster no Canadá e membro do painel da OMS que conduziu a avaliação.
As recomendações serão atualizadas à medida que novas pesquisas confirmam ou expandem o estado atual de conhecimento.
A recomendação da OMS, a primeira sobre a ivermectina, junta-se à da Agência Europeia de Medicamentos, que também não recomenda seu uso exceto em ensaios clínicos. O regulador americano, a FDA, também explica em seu site porque a ivermectina não deve ser usada.
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