Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 31 de maio de 2021
A Organização Mundial da Saúde (OMS) poderá dar nesta semana o sinal verde para uso emergencial da vacina chinesa CoronaVac, o que significará um endosso internacional crucial para o medicamento. Mas será preciso aguardar para ver a que ponto isso facilitará a entrada de turistas brasileiros na Europa, por exemplo.
A diretora-geral assistente da OMS, Mariângela Simão, confirmou que o grupo de especialistas que autoriza e recomenda as vacinas se reúne nesta terça-feira (1º) e examinará novos dados recebidos da China na semana passada.
Mariângela disse que o relatório técnico com as recomendações poderá ser
divulgado nesta quarta (2) ou quinta-feira (3). A expectativa entre especialistas é de endosso da OMS à segunda vacina chinesa. No começo do mês, o imunizante produzido pelo laboratório estatal Sinopharm já recebeu o sinal verde para uso emergencial.
O Grupo Estratégico Internacional de Experts em Vacinas e Vacinação (Sage, na sigla em inglês) preparou relatório no começo do mês após ter examinado estudos de ensaios clínicos da fase 3 na China, Brasil, Indonésia, Turquia e Chile. A conclusão do Sage foi de “alto nível de confiança’’ de que duas doses da CoronaVac são efetivas para prevenir covid-19 em adultos (18-59 anos). E de “moderado nível de confiança’’ de que o risco de sérios efeitos adversos era baixo após uma ou duas doses da vacina.
Também manifestou “moderado nível de confiança’’ de que duas doses são eficazes para prevenir covid-19 em pessoas acima de 60 anos. Mas apontou “baixo nível de confiança’’ na qualidade de evidência de que o risco de sérios efeitos adversos era baixo após o uso da vacina. Nesse contexto, foram solicitados aos chineses novos dados.
O grupo nota que a CoronaVac já foi autorizada em 32 países pra uso em adultos a partir de 18 anos, com variação na idade indicada, e 260 milhões de doses tinham sido distribuídas na China e no exterior.
Um sinal verde da OMS à CoronaVac poderá, em tese, ajudar a ampliar a distribuição de vacinas para os países em desenvolvimento através do Covax, o mecanismo global para acesso equitativo à doses. Ocorre que, embora a China seja o maior produtor mundial de vacina contra covid-19 atualmente, o fornecimento para o exterior é apertado porque precisa continuar a imunizar sua própria população.
O Covax só entregará 27% das doses previstas no primeiro semestre deste ano, pelas projeções da consultoria de saúde Airfinity. É que 64% de seu fornecimento entre janeiro e junho era esperado vir da Índia, mas esse país proibiu exportações. Covax buscou agora doses junto à J&J, Novavax, Moderna e Sanofi/GSK, criando um maior portfólio de exportação mais para o segundo semestre, dependendo da aprovação dessas vacinas pela OMS. Adicionalmente, vários países se comprometeram a doar doses diretamente ao Covax.
A União Europeia (UE) introduzirá em julho novas regras para permitir a entrada nos 27 países membros a turistas originários de países que já receberam as doses necessárias de vacinas anti-covid aprovadas no bloco europeu — Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Jannsen — e também das vacinas com homologação na OMS, como deverá ser o caso da CoronaVac, a vacina mais usada no Brasil até agora.
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