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Mundo A Organização Mundial do Comércio volta a discutir a suspensão de patente para vacina contra o coronavírus. O Brasil mantém posição contrária

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A nova diretora-geral da organização, Ngozi Okonjo-Iweala, tenta acordo alternativo. (Foto: Reprodução de vídeo)

O pedido da Índia e da África do Sul de suspensão de patentes e outros dispositivos de propriedade intelectual sobre vacinas e medicamentos para a Covid-19 durante a pandemia volta a ser discutido na Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta quarta (10).

A expectativa é que o Brasil, que vive o pior momento da pandemia, mantenha sua posição contrária à proposta, que tem por objetivo dar escala à fabricação desses produtos, hoje concentrada em um punhado de grandes companhias farmacêuticas, baseadas sobretudo em países desenvolvidos — a maioria dos quais já garantiu dezenas de milhões de doses de vacinas para suas populações.

Até agora, a iniciativa foi rejeitada exatamente pelos países ricos, e integrantes do organismo consideram “curiosa” a posição do Brasil, a única nação em desenvolvimento neste grupo.

O argumento brasileiro é que o acordo Trips (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio) da OMC  já prevê a possibilidade do chamado “licenciamento compulsório” — equivalente à suspensão de patentes, mas que pode ser feito por cada país individualmente —  de remédios em emergência sanitárias. Mesmo dependente da importação de imunizantes da Índia, o governo brasileiro considera a proposta uma “mera sinalização política”.

A proposta tem sido copatrocinada pelas delegações da União Africana e pelo grupo dos países de menor desenvolvimento, além de Paquistão, Bolívia, Venezuela, Argentina, Cuba e Egito, entre outros. Quando um pedido do tipo é encaminhado ao Conselho Trips — responsável na OMC pelo monitoramento do acordo —, o prazo para a discussão é de 90 dias.

Era para o assunto ter sido resolvido no final de janeiro. No entanto, sem um consenso — todas as decisões devem ser acatadas pelos 164 países-membros da OMC — o debate tem sido postergado. Esta já é a sexta reunião, entre encontros formais e informais, para discutir o tema. Em anos normais, o Conselho Trips se reúne de duas a três vezes para tratar da agenda geral.

Negociadores não esperam mudanças radicais de posições no encontro, que vai até esta quinta. Mas ainda há esperança de que se chegue a um acordo no meio do caminho. A nova diretora-geral da OMC, a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, é entusiasta de uma terceira via. Isso significaria que governos e empresas farmacêuticas poderiam chegar a um entendimento entre si, sem que necessariamente se mudem as disposições do Trips.

Nesta terça (9), representantes da indústria, governos, ONGs e academia se reuniram em Londres para discutir uma saída. Participantes do encontro não descartam um entendimento paralelo ao processo na OMC. Austrália, Canadá, Chile e Colômbia já haviam se mostrado abertos a negociar. Eles estão em um grupo de sete países que enviou uma carta a Okonjo-Iweala pedindo que negocie com os fabricantes de vacinas para aumentar a produção.

A própria diretora-geral pediu ação urgente para aumentar a produção de vacinas em países em desenvolvimento, dizendo que 130 países ainda estavam esperando receber imunizantes e que fábricas poderiam ser habilitadas para produzí-los em seis ou sete meses.

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