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Política A Petrobras encerra a presença de quatro décadas na África

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Após venda da PetroÁfrica, estatal se prepara agora para desinvestir no Uruguai e Bolívia. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Ao concluir a venda da PetroÁfrica, por US$ 1,45 bilhão, a Petrobras encerrou um ciclo de quatro décadas em território africano. Ao longo desse tempo, a estatal passou por dez países africanos diferentes, na maioria deles sem sucesso, numa trajetória que acompanhou por vezes o movimento da política internacional do governo brasileiro, demandou investimentos bilionários e foi parar, nos últimos anos, nas investigações da Operação Lava-Jato.

Com a venda da PetroÁfrica, a Petrobras se desfaz de uma produção de 34 mil barris diários de petróleo. O volume é oriundo dos ativos da empresa na Nigéria e representa cerca de 1,5% da meta de produção da estatal para 2020. O primeiro destino da petroleira brasileira na África foi Angola, em 1979, ainda durante o regime militar

O negócio representa mais um passo da estatal na estratégia de redução de sua presença no mercado internacional. Desde 2015, em resposta a sua crise financeira, a estatal já fez oito desinvestimentos no exterior, no valor de US$ 5,2 bilhões.

A petroleira saiu de países como Chile, Paraguai, Japão e Nigéria, mas ainda mantém uma base de ativos nas Américas, incluindo redes de distribuição de combustíveis no Uruguai e Colômbia e alguns ativos de exploração e produção de petróleo e gás natural na Bolívia, Estados Unidos, Argentina e Colômbia.

O próximo país a sair da base de ativos da Petrobras promete ser o Uruguai. A companhia já abriu o processo de venda de seus ativos de distribuição de combustíveis no país e fechou um acordo com o governo local para devolver as concessões de gás canalizado.

Com a venda da PetroÁfrica, a produção internacional da estatal virá a partir de agora basicamente da Bolívia e do Golfo do México, nos EUA. O futuro da empresa no país vizinho, porém, é incerto. Isso porque a venda de ativos na Bolívia entrou no horizonte do plano de negócios 2020-2024. Foi a primeira vez que a diretoria da estatal mencionou abertamente a inclusão dos ativos bolivianos no seu programa de desinvestimentos. A empresa não deu maiores detalhes sobre o negócio. No país andino, a petroleira detém fatia de 11% na GTB, proprietária da parte boliviana do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), e contratos de produção nos campos de San Alberto e San Antonio.

Nesse contexto de venda de ativos, a Petrobras já se desfez, nos últimos cinco anos, de boa parte de sua carteira global construída ao longo das décadas passadas. As operações na África, por exemplo, remontam ao fim dos anos 1970, ainda no regime militar. O primeiro destino da petroleira brasileira foi Angola, em 1979, num contexto de uma década marcada pela independência do país africano e pelo segundo choque do petróleo – que estimulou as petroleiras internacionais a buscarem diversificar suas reservas.

O segundo passo de “africanização” da Petrobras só correu duas décadas depois, em 1998, já no governo Fernando Henrique Cardoso, quando a estatal brasileira entrou na Nigéria – país onde ela teve o seu maior sucesso no continente. Toda a produção da PetroÁfrica, nos anos mais recentes, vinha exclusivamente daquele país.

A internacionalização da Petrobras na década de 1990 ocorre num outro contexto de seus negócios, quando ela ainda não havia descoberto os grandes recursos do pré-sal. Sem expectativas de contar com suficientes reservas de óleo e gás no Brasil, a empresa saiu em busca de alternativas na África e Bolívia, por exemplo.

Foi nos anos 2000, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, porém, que a presença da petroleira no continente africano se acentuou. Presente até então na Nigéria e Angola, a Petrobras entrou na atividade de exploração de óleo e gás na Tanzânia (2004), Líbia (2005), Moçambique (2006), Guiné Equatorial (2006), Senegal (2007) e Namíbia (2009). Essa expansão, embora em menor medida, continuou no governo Dilma Rousseff, quando a empresa entrou no Gabão (2011) e Benin (2011). A exceção de Angola e Nigéria, a Petrobras jamais produziu nos demais países.

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