Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020

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Brasil A polícia aponta três pessoas no carro de assassinos da vereadora Marielle Franco

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Marielle foi assassinada em março de 2018. (Foto: Reprodução/Instagram)

Três pessoas, e não duas como a polícia acreditava inicialmente, estavam no carro de onde partiram os tiros que mataram a vereadora do Rio Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes, na noite do dia 14 de março, segundo a TV Globo, que teve acesso ao inquérito de investigação das execuções. O documento tem milhares de páginas, mas poucas conclusões.

No documento, a Polícia Civil do Rio registra a presença de uma pessoa ao lado do motorista do carros dos assassinos de Marielle. Num primeiro momento, acreditava-se que havia apenas mais uma pessoa no banco de trás. Mas uma câmera instalada no percurso por onde passou a vereadora minutos antes de ser assassinada captou uma imagem de frente do carro do atirador, que foi capaz de detectar a presença de alguém no banco do carona.

Os vidros do veículo foram cobertos por uma película escura que dificulta a identificação dos ocupantes. Mas, com recursos tecnológicos, foi possível atestar a presença dessa terceira pessoa.

No inquérito, a Divisão de Homicídios ainda concluiu que o carro utilizado no crime, da marca Cobalt, foi preparado para o assassinato. Uma análise mais detalhada do veículo clonado demonstrou que suas maçanetas pretas são raras e que o formato da janela não coincide com o de outros carros do mesmo tipo.

A polícia constatou também que das nove munições utilizadas, oito eram brasileiras e uma era colombiana. O vereador carioca Marcelo Siciliano (PHS) e o ex-PM Orlando Curicica continuam sendo tratados como os principais suspeitos.

Labirinto

No dia em que se completaram oito meses do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, a Anistia Internacional afirmou que as investigações da polícia se encontram num “labirinto”, uma vez que não há informações fechadas ainda sobre o(s) mandante(s), a motivação do crime, o(s) executor(es) e a arma e o carro usados pelos assassinos.

A ONG defende que seja estabelecido um mecanismo externo e independente para acompanhamento do trabalho policial, de modo a aferir se não está havendo interferência indevida – o crime teve motivação política, segundo aponta a apuração.

A Anistia fez um levantamento sobre as poucas informações já divulgadas (o caso corre em sigilo total pela área da segurança do Estado, sob intervenção federal desde fevereiro) e apontou todas as perguntas ainda sem respostas.

Por exemplo: qual foi a origem da arma e da munição utilizadas, por que não foram feitos exames de raio x nos corpos, qual foi o trajeto dos assassinos na noite do crime. O documento foi divulgado na quarta-feira (14), com a presença dos pais de Marielle, Marinete e Antonio Silva. Marinete disse esperar que não haja prejuízo para as investigações com a troca de governo e mudanças na polícia a partir de janeiro de 2019.

“Já deram várias versões, disseram que o caso estava caminhando. Tanto o (ministro da Segurança Pública) Raul Jungmann quanto (o secretário de Segurança, general) Richard Nunes disseram que estava praticamente resolvido, e não estamos vendo isso. Cada vez que sai uma notícia que tem um avanço e está chegando perto, a gente não tem nada de concreto. Temos que aguardar mesmo e ver o que acontece até o fim do ano”, afirmou Marinete. “A impressão que tenho é de que estamos enxugando gelo. Todo mês são as mesmas perguntas sem respostas”, disse o pai da vereadora.

Em setembro, o deputado Marcelo Freixo (PSOL), que era amigo de Marielle e trabalhara dez anos com ela na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio, ouviu da polícia que o crime estava perto da elucidação. Poucos dias depois, o secretário da Segurança afirmou que ele poderia não ser desvendado até o fim da intervenção, dia 31 de dezembro.

A coordenadora de pesquisa da Anistia, Renata Neder, disse que não há sinalização de que o conclusão se dê até o fim de dezembro. “Afinal, qual é o andamento da investigação? As autoridades precisam se responsabilizar diante desse quadro de incongruência e de perguntas sem resposta. Sem pressão não tem solução”, afirmou, lembrando que Marielle era defensora dos direitos humanos e vereadora eleita no Rio, segunda maior cidade do País, e que sua execução foi um ataque às instituições democráticas.

“A Anistia vem a publico reiterar sua posição de que é urgente um mecanismo externo e independente para monitorar essas investigações, com peritos, juristas e especialistas em investigação criminal. Eles deveriam poder se debruçar sobre as investigações para verificar se o devido processo está sendo seguido, se todas as linhas estão sendo exploradas, se está havendo negligência, interferência externa indevida. A Anistia desde o início alertou para o risco desse caso ficar sem solução”, pontuou.

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