Terça-feira, 08 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de maio de 2018
A Polícia Civil ofereceu, nesta quarta-feira (9), proteção à testemunha que aponta a participação do vereador Marcello Siciliano (PHS) e do ex-PM Orlando Oliveira de Araújo no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março passado. A testemunha aceitou a oferta e já está sob os cuidados da polícia.
Informações da Polícia Civil dão conta de que a testemunha seria levada para um local seguro.
Na terça-feira (8), o jornal O Globo revelou que uma testemunha que trabalhava para a quadrilha contou, em três depoimentos à Divisão de Homicídios, que o vereador e o miliciano Orlando planejaram matar a vereadora.
Em entrevista na manhã desta quarta, o vereador Marcelo Siciliano (PHS) chamou as denúncias contra ele de “factoide”.
A testemunha contou em depoimento sobre ameaças feitas pelo ex-PM (policial militar) Orlando Oliveira de Araújo , o Orlando de Curicica, após sua prisão, em outubro de 2017, e que trabalhava para o miliciano em comunidades dominadas por ele.
Orlando atua, segundo investigações da Polícia Civil, em comunidades da Zona Oeste da cidade. Ele está preso desde outubro do ano passado por homicídio, organização criminosa e porte de arma de fogo.
Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes foram mortos na noite de 14 de março, no Centro do Rio. A polícia sabe que foram utilizadas munições de calibre 9 milímetros de uma submetralhadora. Uma reconstituição do crime está marcada para a noite desta quinta-feira (10).
Vídeo
Um vídeo divulgado pelo perfil de Marielle Franco no Instagram em agosto do ano passado mostra o momento em que a parlamentar repreende o colega Marcello Siciliano por, na avaliação dela, ter feito colocação machista no plenário da Câmara Municipal do Rio.
Durante a sessão na Câmara, Marielle afirmou: “Marcello, como eu tenho bom diálogo com você queria registrar uma coisa na sua fala. A minha palavra é palavra de mulher, mas vale, não é só palavra de homem que vale”.
O vereador Tarcísio Motta (PSOL), que estava na sessão, diz que a colocação teve relação com uma fala de Siciliano no plenário em que o parlamentar teria feito uma colocação machista, contestada na sequência por Marielle. “Ela fazia isso com frequência, se posicionava e não deixava passar nenhuma colocação desse tipo.” Ainda segundo Tarcísio, que preferiu não comentar o depoimento da testemunha que indicou o envolvimento de Siciliano e do miliciano Orlando Oliveira no crime, os dois mantinham uma relação cordial.
Sessão cancelada
Nesta quarta-feira (9), a sessão ordinária da Câmara de Vereadores que estava marcada para começar às 14h foi cancelada por falta de quórum. De acordo com a assessoria do vereador Tarcísio Motta, cancelamentos por este motivo são recorrentes, mas a situação desta quarta chamou a atenção por ter sido definida antes mesmo do começo da sessão.
De acordo com o parlamentar, às 14h15min, o vereador Rogério Rocal (PTB) anunciou no plenário, no lugar do presidente Jorge Felippe (PMDB), que a sessão não seria aberta por falta de quórum. “Cair a sessão é comum. Nesse caso, nem começou. Isso é incomum”, disse a assessoria de Motta.
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