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Brasil A Polícia Federal afastou o novo reitor de universidade em São Paulo envolvida em um esquema de fraude no Fies

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Polícia Federal realizou a segunda fase de operação contra fraudes no Fies. (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

A Polícia Federal realizou na manhã desta quinta-feira (13) a segunda fase da Operação Vagatomia, responsável por investigar um esquema de fraudes no Financiamento Estudantil do Governo Federal (Fies) e venda de vagas no curso de medicina em um campus de Fernandópolis, no interior de São Paulo.

Nessa segunda etapa, os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão na sede da escola e na residência do atual reitor. Na primeira fase da operação, o dono da Universidade Brasil e outras 20 pessoas foram presas.

Além de esquemas no Fies, também são investigadas fraudes relacionadas ao exame Revalida, destinado a avaliar o conhecimento dos alunos que estudam ou estudaram medicina no exterior, principalmente no Paraguai, na Bolívia e na Argentina.

De acordo com a Polícia Federal, após a prisão do antigo reitor, um advogado — que atuava como defensor dos investigados na primeira fase da operação — foi nomeado para ocupar a função de novo administrador da escola.

Ao assumir o cargo, segundo a PF, o novo reitor teria ofendido e ameaçado investigadores, testemunhas e autoridades responsáveis pela apuração dos crimes. Ele foi, então, afastado e deverá cumprir uma série de medidas cautelares impostas pela Justiça Federal de Jales, interior do estado.

Ele está proibido de ter contato com qualquer pessoa envolvida na investigação, funcionários, alunos e ex-alunos da instituição, e também não pode ter acesso à universidade.

Além de ter sido afastado do cargo, também deve comparecer mensalmente à Justiça para informar suas atividades.

Na segunda fase da operação, a Polícia Federal apreendeu documentos, celulares, mídias de armazenagem e computadores. O material será analisado para identificação de novos crimes.

R$ 500 milhões 

Na primeira fase da operação, em setembro do ano passado, cerca de 250 policiais federais cumpriram 77 mandados judiciais em 12 cidades.

Entre os mandados, foram expedidas 11 prisões preventivas, 11 temporárias, 45 ordens de busca e apreensão, além de 10 medidas cautelares. À época, a Justiça também determinou o bloqueio de bens avaliados em R$ 250 milhões.

Segundo a PF, vagas para ingresso, transferência e financiamentos Fies para o curso de medicina estariam sendo negociadas por até R$ 120 mil por aluno. Nos últimos cinco anos, R$ 500 milhões do Fies e Prouni teriam sido concedidos por meio de fraudes.

Após oito meses de investigação, a polícia federal apontou o dono da Universidade Brasil — que também exercia a função de reitor até o ano passado — como o líder da organização criminosa.

O empresário de 63 anos, e seu filho, que também é sócio do grupo educacional, não só tinham conhecimento, mas também participavam dos crimes em investigação.

Em nota, a Universidade Brasil rebate a segunda fase da operação da Polícia Federal, afirmando que
o novo reitor adotou medidas para “colaborar com as autoridades na identificação de possíveis irregularidades que tivesem sido cometidas anteriormente”.

Leia o comunicado na íntegra:

“A Universidade Brasil, nesta data, foi vítima de retaliação de um delegado da Polícia Federal — ex-professor da escola, afastado — e do Ministério Público da cidade de Jales (SP). O primeiro foi alvo de representação judicial do reitor Adib Abdouni.

O delegado, consorciado com a ex-funcionária da Universidade — que o havia contratado  e se tornou delatora premiada — com o apoio do MP, conseguiu de um juiz, também de Jales, inverter os papéis, de acusado para acusador.

Em nenhum momento o reitor da Universidade Brasil, Adib Abdouni, ameaçou testemunhas ou a colaboradora premiada. A investida contra a Universidade deixa-a acéfala e a torna presa fácil para ofertas de compra por parte de grandes grupos de ensino com ações negociadas em Bolsa de Valores, a preço vil.

No legítimo direito de defesa e sem cometer ilegalidades, o reitor Adib Abdouni havia entrado com representação contra o delegado da Polícia Federal Cristiano Pádua da Silva — contra este foi pedida inclusive sua prisão —, uma vez que vinha intimidando funcionários do campus Fernandópolis da Universidade e o próprio reitor.

A verdade é que desde que Adib Abdouni assumiu a reitoria, em 25 de outubro de 2019, adotou uma série de medidas para colaborar com as autoridades na identificação de possíveis irregularidades que tivessem sido cometidas anteriormente e punir os envolvidos. Criou, inclusive, a Diretoria de Compliance, chefiada por uma delegada da Polícia Federal aposentada.

A Universidade confia que a Justiça será feita e que rapidamente o reitor Adib Abdouni voltará às suas funções, para desgosto de seus detratores e dos concorrentes dessa instituição de ensino.”

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