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Brasil A Polícia Federal indiciou os dois filhos do líder do governo do Senado, Romero Jucá, por envolvimento em três crimes

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Romero Jucá questionou a idoneidade da juíza federal que deflagrou a operação. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

A PF (Polícia Federal) informou ter indiciado pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa os dois filhos do senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado. São eles o ex-deputado estadual Rodrigo de Holanda Menezes Jucá e a sua irmã Marina de Holanda Menezes Jucá.

Ambos estão entre os alvos da Operação Anel de Giges, deflagrada na manhã de quinta-feira e que investiga o suposto desvio de 32 milhões de reais por meio do superfaturamento na aquisição da fazenda Recreio, localizada em Boa Vista, e na construção do empreendimento Vila Jardim, do projeto Minha Casa, Minha Vida, no bairro Cidade Satélite, também na capital de Roraima.

De acordo com a corporação, as penas previstas para os crimes atribuídos aos filhos de Jucá chegam a 30 anos de reclusão. “As apurações continuam, com a análise do material apreendido e aprofundamento da investigação sobre o envolvimento de outros integrantes nas práticas criminosas”, disse o delegado Alan Robson.

Também estão na mira da PF duas enteadas de Jucá, Luciana Surita da Motta Macedo e Ana Paula Surita Motta Macedo, filhas da prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB). Elas e os filhos de Jucá foram conduzidos coercitivamente pela PF, por ordem da Justiça Federal. O superintendente da Caixa Econômica Federal em Roraima, Severino Ribas, também é investigado.

A força-tarefa suspeita das transações decorrentes da venda da fazenda Recreio para a construção do empreendimento Vila Jardim. Dentre os principais focos da investigação estão os procedimentos internos de fiscalização e aprovação do empreendimento por parte do banco estatal.

Defesas

Romero Jucá, que também é presidente nacional do PMDB, publicou nota sobre o caso. “Eu repudio mais um espalhafatoso capítulo de um desmando que se desenrola nos últimos anos, desta vez contra minha família. Como pai de família, carrego uma justa indignação com os métodos e a falta de razoabilidade”, protestou.

“Como senador da República, que respeita o equilíbrio entre os Poderes e o sagrado direito de defesa, me obrigo a, novamente, alertar sobre os excessos e midiatização. Não tememos investigação. Nem eu nem qualquer pessoa da minha família. Investigações contra mim já duram mais de 14 anos e não exibiram sequer uma franja de prova. Todos os meus sigilos, bancário, fiscal e contábil já foram quebrados, e nenhuma prova. Só conjecturas”, prosseguiu.

O parlamentar também questionou a idoneidade da juíza Ana Emília Aires, da 4ª Vara Federal de Boa Vista, responsável por deflagrar a ofensiva: “Recebo essa agressão a mim e a minha família como uma retaliação de uma juíza federal que, por abuso de autoridade, já responde a processo no CNJ [Conselho Nacional de Justiça). Eu tornarei público todos os documentos que demonstrarão a inépcia dessa operação”.

A assessoria de imprensa do banco estatal também se manifestou por meio de um comunicado: “Com relação à Operação Anel de Giges, realizada nessa quinta-feira, a Caixa Econômica Federal esclarece que as informações estão sendo repassadas exclusivamente às autoridades competentes. A instituição mantém contato permanente com as autoridades competentes, prestando irrestrita colaboração com as investigações e operações policiais”.

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