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Por Redação O Sul | 16 de julho de 2018
Pelo menos duas salas do edifício sede do Ministério do Trabalho, em Brasília, foram invadidas e os móveis foram revirados durante o fim de semana, de acordo com informações preliminares da própria pasta. Ao chegarem nesta segunda-feira (16) para trabalhar, servidores encontraram os móveis abertos e todo o material jogado pelo chão. A PF (Polícia Federal) isolou a sobreloja do prédio – andar em que se encontram as salas invadidas – e está investigando o caso.
Ainda não se sabe se a invasão ocorreu no sábado (14) ou no domingo (15). De acordo com o ministério, nos andares funcionam diversos setores, como o seguro-desemprego e os computadores que armazenam as principais informações da pasta – o chamado “big data”.
No fim de maio, a Polícia Federal deflagrou a Operação Registro Espúrio, que investiga esquema de concessão fraudulenta de registros sindicais no ministério. A operação levou ao pedido de demissão do ex-ministro da pasta Helton Yomura.
Nas diversas fases da operação, foi decretada a temporária do seu ex-chefe de gabinete Júlio de Souza Bernardo (já colocado em liberdade), e a prisão do ex-secretário de Relações do Trabalho Renato Araújo.
Também são investigados pela PF nessa operação o ex-deputado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, pivô do escândalo do mensalão do PT, os deputados Jovair Arantes (PTB), Paulinho da Força (Solidariedade) e Wilson Filho (PTB). A deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha de Roberto Jefferson, também teve endereços funcionais e residenciais vasculhados pela PF.
Todo o primeiro andar do ministério foi isolado pela segurança do órgão. A PF foi acionada pelo órgão e chegou ao local às 9h50min. Por causa do isolamento, funcionários tiveram de deixar o primeiro andar e foram levados para o térreo do ministério. Embora o primeiro andar do edifício esteja interditado, o expediente no Ministério do Trabalho não foi alterado.
Por volta das 10h, agentes da Polícia Federal começaram a fazer a perícia da área isolada pelos seguranças do ministério. A PF planeja montar um andaime do lado de fora do prédio para que possam ser colhidas impressões digitais.
Registro Espúrio
O Ministério do Trabalho é alvo de uma investigação da Polícia Federal. Em 30 de junho, a PF deflagrou a operação Registro Espúrio, a fim de desarticular suposta organização criminosa integrada por políticos e servidores que teria cometido fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo Ministério do Trabalho.
Segundo as investigações da Polícia Federal, os registros de entidades sindicais no ministério eram obtidos mediante pagamento de vantagens indevidas; não era respeitada a ordem de chegada dos pedidos ao ministério; a prioridade era dada a pedidos intermediados por políticos; a operação apontou um “loteamento” de cargos do Ministério do Trabalho entre os partidos PTB e Solidariedade.
Na semana seguinte, o ministro Helton Yomura foi afastado do cargo por decisão de Edson Fachin, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal). Em nota, a defesa afirmou que Yomura não cometeu nenhum ato ilícito e que “nega veementemente qualquer imputação de crime ou irregularidade”. No mesmo dia, ele pediu demissão do cargo.
O substituto de Yomura, Caio Vieira de Mello, tomou posse no ministério na última terça-feira (10). Na cerimônia, afirmou que vai administrar o ministério “tecnicamente”, e não “politicamente”. Ainda segundo ministro, “se for necessário, será feita” uma limpa no ministério.
A emissão de registros sindicais está suspensa pelo Ministério do Trabalho até outubro. A decisão do ministro Caio Vieira de Mello foi publicada no “Diário Oficial da União” na última quinta-feira (12).