Sábado, 03 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de setembro de 2020
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (3), a “Operação Circuito Fechado”, que apura o suposto desvio de R$ 40.566.248 do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), por meio de “contratações fraudulentas” de uma empresa do ramo de tecnologia. São investigados três contratos firmados entre 2012 e 2019.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão temporária e 44 mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal, São Paulo, Goiás e Paraná. Nove pessoas foram presas. Os detidos são: Tiago Schettini Batista – sócio da empresa B2T, Francisco Luiz Guedes Junior – gerente comercial da empresa B2T, Alberto Carvalho Branquinho – ex-funcionário da empresa Microstrategy, Marcus Thadeu de Oliveira Silva – ex-servidor do Dnit, Fausto Emílio de Medeiros Filho – servidor do Dnit, Edy Willian Siqueira de Meneses – servidor do Dnit, Willian da Silva Ferreira – servidor do Dnit, Hélio Zveiter Trigueiro – sócio da empresa Qubo e Rafael Pereira Teles Ferreira – sócio da empresa Qubo.
Em nota, o Dnit informou que os contratos investigados foram suspensos e que colabora com a apuração da polícia. “O Dnit reafirma estar em permanente contato com os órgãos de controle e que pauta sua atuação dentro da legalidade e lisura, respeitando todos os princípios éticos da administração pública.”
Além dessas medidas, a Justiça Federal também determinou o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões nas contas dos investigados, bem como o sequestro de seis imóveis e 11 veículos.
Investigação
Esta é a segunda fase da “Operação Gaveteiro”, deflagrada no dia 6 de fevereiro, para apurar o desvio de R$ 50.473.262,80 do Ministério do Trabalho, por meio da contratação irregular dessa mesma empresa.
Após a coleta de provas, a PF constatou um esquema que envolvia empregados e revendedores da empresa. A investigação apontou ainda que o grupo criminoso vendia ferramentas de tecnologia aos órgãos públicos, “sempre por meio de licitações fraudadas”.
Segundo a polícia, servidores públicos atuavam para impedir a habilitação de concorrentes e, assim, favorecer a mesma empresa de tecnologia. “Além de direcionar a contratação, os agentes públicos maximizavam o seu objeto, forjando a necessidade de aquisição de valores milionários em licenças, suporte técnico, consultoria e treinamento”, disse a corporação.
Os investigados devem responder pelos crimes de peculato, organização criminosa, lavagem de dinheiro, fraude à licitação, falsificação de documento particular, corrupção ativa e passiva. Se somadas, as penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.