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Brasil A Polícia Federal procurou pelo terrorista Cesare Battisti em duas embaixadas

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Battisti foi extraditado em 2019. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

A Polícia Federal questionou ao menos duas embaixadas instaladas no Brasil se estariam abrigando Cesare Battisti. Desde que o ex-presidente Michel Temer decretou a extradição dele para a Itália, Battisti está foragido. A Coluna apurou que entre as embaixadas consultadas estão as da Venezuela e da Bolívia, que negaram terem dado refúgio para o italiano nas suas unidades. Segundo um delegado, informações incorretas gerariam uma crise diplomática, razão pela qual dizem não acreditar que possam ter omitido a verdade nas respostas.

A PF também checou informação de que Battisti estaria na Amazônia. Um mapeamento foi feito, mas sem sucesso.

A ordem na PF é não falar publicamente sobre o assunto Battisti para dar a sensação de que o italiano não está mais sendo procurado, o que pode levá-lo a cometer alguma falha. Ninguém tem dúvidas de que será capturado cedo ou tarde.

Mãe de filho de Battisti disse que ele poderia se asilar em embaixada

A mãe do filho caçula de Cesare Battisti, Priscila Luana Pereira, afirmou que o italiano, foragido desde que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux determinou sua prisão no último dia 13 de dezembro, já pensava em pedir asilo político em alguma embaixada. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo publicada no domingo (30), a professora de 33 anos relatou ter encontrado seu ex-companheiro pela última vez em outubro, em Cananeia, no litoral paulista, onde Battisti vivia.

Segundo Priscila, ele andava extremamente preocupado. “Não [falava em fugir]. Ele estava cogitando estar numa embaixada que fosse amiga. Mas não sei de que país seria”, disse ela à publicação, ressaltando que não faz ideia sobre seu paradeiro.

Priscila mora em São José do Rio Preto e conheceu o europeu durante uma viagem que fez para Cananeia, em 2012. Entre idas e vindas, os dois mantiveram um relacionamento entre 2012 e 2017.

“[Ele] é pacífico, tranquilo, amoroso, simples, um paizão”, ressaltou. O ex-guerrilheiro do grupo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo) foi condenado à prisão perpétua na Itália pelo assassinato de quatro pessoas na década de 1970. “Ele é um injustiçado. Não acredito que seja culpado. Ele nunca confessou nenhum crime. Ele assumiu conspiração [na organização], mas morte de sangue, eu não acredito. Não acredito que tenha cometido [assassinatos]”, afirmou Priscila.

No dia 13 de dezembro, Fux decretou a prisão de Battisti atendendo um pedido da Interpol. Um dia depois, o então presidente, Michel Temer, assinou um decreto autorizando a extradição do italiano para o país europeu. Battisti se diz inocente, mas para as autoridades italianas, ele é considerado terrorista. No Brasil desde 2004, o ex-guerrilheiro foi preso três anos depois. Na época, o governo da Itália pediu sua extradição, aceita pelo STF.

Contudo, no último dia de seu mandato, em dezembro de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que Battisti deveria ficar no Brasil, e o ato foi confirmado pela Suprema Corte. No entanto, desde sua campanha eleitoral, o presidente eleito Jair Bolsonaro se dizia favorável à extradição de Battisti. “A situação política é desfavorável. Só que ele não pode ficar sujeito a isso. Troca-se o governo, troca-se o presidente, e ele paga?”, indagou Priscila.

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