Sábado, 24 de Outubro de 2020

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Bem-Estar A prática de exercícios em casa melhorou a qualidade de vida na pandemia

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Exercícios têm grande impacto na saúde mental, melhorando o humor dos praticantes. (Foto: Reprodução)

Durante a pandemia do novo coronavírus, diante das medidas de distanciamento social, a maioria dos praticantes de atividade física passou a realizar seus treinamentos dentro de casa, adaptando também essa parte da vida aos novos tempos.

Para comprovar a importância de seguir praticando exercícios durante a quarentena, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará, da Universidade Federal da Paraíba, do Centro Universitário de João Pessoa e da Universidade Estadual Vale do Acaraú realizaram um estudo comparativo transversal sobre os benefícios da atividade física realizada em casa durante o confinamento da pandemia de Covid-19, o qual avaliou os impactos na qualidade de vida e saúde mental de adultos.

A conclusão do estudo, publicado neste mês de setembro, é de que “adultos que se exercitaram em casa durante a pandemia do COVID-19 apresentaram melhor qualidade de vida, qualidade subjetiva de sono e níveis reduzidos de ansiedade, depressão e estresse do que aqueles fisicamente inativos”.

Impactos na saúde mental e no sono

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) realizada no mês de maio com psiquiatras revelou que, durante a quarentena, 47,9% deles tiveram aumento no número de consultas, 89,2% avaliaram que houve um agravamento dos sintomas de seus pacientes e 70% receberam novos pacientes após o início da pandemia. A atividade física, neste sentido, torna-se ainda mais importante por conta de seu no bem-estar psicológico e mental.

– O que verificamos com nosso estudo foi que as pessoas que se mantiveram praticando atividade física em casa pelo menos três vezes por semana relataram estar menos ansiosas, estressadas e depressivas do que as pessoas que se mantiveram fisicamente inativas. Perceba que, para que isso fosse relatado, nenhuma estrutura grandiosa de academia de musculação ou a proximidade de nenhum parque exuberante, por exemplo, foram necessários. O movimento humano, dentro de casa, com certa regularidade, já foi suficiente para que benefícios psicológicos fossem encontrados. Por isso, mais importante do que o local onde a pessoa vá se exercitar, é a movimentação do corpo de fato. Afinal, mesmo realizada em casa, a atividade física se mostrou eficaz para a saúde mental das pessoas nesse período tão tortuoso que estamos vivendo – destaca Bruno Teixeira.

Para a psicóloga esportiva Gabriela Côrrea, manter um estilo de vida fisicamente ativo gera inúmeros benefícios para a saúde de forma integral, conforme diz a ciência há anos. Tais benefícios se sustentam também durante o período de isolamento social devido à pandemia de Covid-19. Porém, alguns cuidados precisam ser observados para que não sejam criados, ou até mesmo agravados, problemas de saúde física e psicológica.

“Para quem praticava atividade física antes da pandemia, continuar, dentro de suas possibilidades, é importante e positivo, física e mentalmente, conforme aponta o estudo citado. Porém, devem ser consideradas as limitações momentâneas de espaço, ambiente, relação interpessoal, equipamentos, intensidade do exercício e até mesmo possíveis prejuízos em resultados estéticos. Criar uma expectativa irreal com relação a esses fatores pode gerar ainda mais ansiedade, frustração e outros tipos de desequilíbrio emocional. Aos que não tinham o hábito de se exercitar antes da pandemia, o período de isolamento social não é o momento mais adequado para fazer uma mudança abrupta nesse sentido, como sugere a pesquisa ‘Efeitos da atividade física e do exercício sobre o bem-estar no contexto da pandemia de Covid-19’, realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em conjunto com a Universidade Federal do Ceará (UFCE) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)”,  ressalta a psicóloga.

Além disso, Gabriela destaca que a importância de haver orientação e/ou acompanhamento profissional adequado durante a prática de atividade física, para que, assim, sejam evitadas lesões e acidentes em decorrência da realização de movimentos errados.

Em relação aos níveis reduzidos de ansiedade, depressão e estresse, os quais foram apontados no estudo, a psicóloga aponta que a atividade física regular, ou seja, manter por semana mais de 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos atividade vigorosa, está diretamente relacionada à atuação dos “hormônios da felicidade”, fundamentais no combate da ansiedade e da depressão e na redução dos níveis de cortisol, o “hormônio do estresse”.

Ainda segundo a pesquisa desenvolvida durante o isolamento social, foi possível observar uma melhora na qualidade do sono dos indivíduos que se mantiveram ativos fisicamente durante esse período. De acordo com Bruno, é sabido que a qualidade de vida não está relacionada apenas à saúde física ou à ausência de doenças, mas sim ao equilíbrio de aspectos relacionados à saúde física, psicológica, social e ambiental. Por isso, todos esses aspectos devem ser levados em consideração na hora de analisar os dados.

Dormir mal de forma crônica leva a consequências sérias e perigosas para a saúde física e mental. A exemplo disso, estão associados à privação do sono aspectos como: dificuldade de atenção, concentração e tomada de decisões; falha de memória; irritabilidade; prejuízos nas relações familiares e sociais; queda da longevidade e da produtividade no trabalho; menor qualidade de vida; além de maiores probabilidades de desenvolver doenças do coração e respiratórias e obesidade.

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