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Política A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República puxou deputados para o PL e fez o partido ser o maior beneficiado pela janela de troca partidária

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(Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República puxou deputados para o PL e fez o partido ser o maior beneficiado pela janela de troca partidária no último mês na Câmara, conforme levantamento parcial do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

A janela marca um período de 30 dias, que durou do dia 5 de março a 3 de abril, em que deputados federais podem trocar de partido sem serem cassados por infidelidade e disputar as próximas eleições. O número final só deve ser conhecido amanhã, pois nem todas as filiações foram comunicadas.

Segundo o levantamento parcial, o PL aumentou em 12 o número de deputados federais na janela, com a entrada de 20 novos parlamentares e a saída de oito. No total, a legenda ficou com 97 parlamentares na Câmara. Nas eleições de 2022, o partido havia eleito 99.

O PSD, que lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como pré-candidato a presidente, foi o segundo colocado, com saldo positivo de mais sete deputados federais. No momento, o PSD registra 47 deputados no site da Câmara.

O União Brasil, de onde Caiado saiu, foi o partido que mais perdeu deputados nos últimos 30 dias, com 17 integrantes a menos, resultado líquido da entrada de cinco e da desfiliação de 22 deputados. Na Câmara, também tem 47 deputados.

“No geral, as mudanças ocorrem no campo da direita e centro-direita sendo interpretadas como parte da estratégia dos parlamentares para ampliar as chances de reeleição, seja por meio de melhor acesso ao financiamento de campanhas e estrutura, seja pelo alinhamento a candidaturas ao Executivo estadual e nacional, especialmente à pré-candidatura do Flávio Bolsonaro”, observou o analista político e diretor de Documentação do Diap, Neuriberg Dias.

“Tinha uma expectativa de migrações por causa das movimentações de pré-candidatos do PSD e Republicanos, como Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo). Porém, com as pesquisas favorecendo o herdeiro do clã Bolsonaro, manteve a bancada fortalecida do PL.”

Entre os reforços do PL, estão nomes que se aproximaram do bolsonarismo e devem se dedicar à campanha de Flávio nas eleições de outubro, como o deputado Alfredo Gaspar (AL) – relator da CPI do INSS e pré-candidato ao Senado em Alagoas –, que saiu do União Brasil, e Rosângela Moro (SP) também do União Brasil – mulher do senador Sérgio Moro (PR), que fez o mesmo movimento para concorrer ao governo do Paraná.

Nas contas do partido, com o levantamento definitivo, serão 11 deputados a mais, com a entrada de 23 novos integrantes e a saída de 12 deputados da legenda. “O PL foi o partido que mais cresceu na janela. Os bons resultados nas pesquisas do Flávio Bolsonaro geraram perspectiva de poder”, afirmou ao Estadão o líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).

O PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não filiou nenhum deputado federal na janela partidária e perdeu uma integrante, com a saída da deputada Luizianne Lins (CE) para a Rede. O PDT, também da base mais próxima do governo Lula, foi o segundo partido que mais perdeu, com seis deputados federais a menos.

As movimentações na esquerda seguiram os palanques estaduais e a eleição nacional. O deputado Túlio Gadêlha (PE), por exemplo, saiu da Rede e migrou para o PSD, na tentativa de se eleger ao Senado. Ele se juntou à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), pré-candidata à reeleição, em uma tentativa de conectar o palanque dela ao de Lula no Estado, onde o apoio do presidente também é disputado pelo ex-prefeito de Recife João Campos (PSB).

Ao mudar de partidos, os políticos também costumam seguir aqueles que têm maior acesso ao fundo eleitoral. A verba chegará a quase R$ 5 bilhões nas eleições deste ano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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