Terça-feira, 06 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de março de 2019
Tudo o que pode acontecer para dificultar a reforma da previdência está acontecendo. Estava claro, desde o início, que tão logo o ex-presidente Michel Temer perdesse o foro privilegiado, as denúncias contra ele iriam andar. O mesmo vale para Moreira Franco. O que chama atenção são as prisões, mas para analisá-la ainda precisamos conhecer mais sobre a denúncia que as motivou. Essa prisão vai tumultuar o cenário político.
O PMDB é um partido com uma bancada importante e essa prisão pode criar obstáculos para a votação da reforma. Ou seja, não é bom para o governo nesse momento. Somando-se a isso há a recepção ruim da questão da aposentadoria para os militares, teve a rusga entre o ministro da Justiça Sérgio Moro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia – que, aliás, ao menos indiretamente é afetado pela prisão de Moreira Franco, sogro de Maia.
Ainda existe outro elemento. Especulasse que essas prisões são uma reação da Lava-Jato, uma forma da operação recuperar o apoio da opinião pública e dar uma resposta àqueles que diziam que ela havia perdido força por conta da última decisão do STF (de que crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, quando investigados junto com caixa dois, devem ser processados na Justiça Eleitoral, e não na Federal).
Bolsa em queda
A frustração com a proposta de Previdência dos militares e a notícia da prisão do ex-presidente Michel Temer e de seu ex-ministro Moreira Franco levaram o Ibovespa (principal índice da Bolsa) a cair 1,34% nesta quinta-feira para 96.729 pontos. No pior momento do dia, o temor de que a prisão trouxesse desdobramentos políticos mais graves, prejudicando a tramitação da reforma previdenciária, fez com que o recuo do índice chegasse a 2,64%.
Essa foi a terceira queda consecutiva do Ibovespa, que acumula perda de 2,43% na semana. Na segunda-feira, a confiança do investidor na aprovação da reforma havia levado o índice à marca inédita dos 100 mil pontos. Desde então, a Bolsa passa por um movimento de correção.
A queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro e o imbróglio na definição do relator da reforma na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados também influenciaram negativamente o mercado.
Segundo analistas, o nervosismo inicial de ontem na Bolsa, com as prisões feitas pela Polícia Federal, diminuiu à medida em que não foram encontrados argumentos convincentes de que o caso tenha potencial para comprometer a reforma.
Em relatório, a empresa de análise política Arko Advice afirmou que, no curto prazo, as prisões podem “embaralhar o andamento” da reforma na Câmara, mas, “apesar dos ruídos, a tendência é de aprovação”.
Além da prisão de Temer, a frustração do mercado com a economia aquém do esperado na reforma previdenciária dos militares, foi uma boa justificativa para incentivar uma realização de lucros que o mercado vinha querendo fazer.
Por outro lado, a aceleração dos ganhos nas bolsas dos Estados Unidos à tarde foi um fator que contribuiu para amenizar perdas no Ibovespa. Apesar de andar na contramão do mercado internacional, não havia como a Bolsa ignorar a melhora em Nova York, mas, a partir de agora, o mercado terá de dividir atenções com mais um assunto, e vos desdobramentos das prisões ainda podem gerar volatilidade. As informações são do jornal Estado de S. Paulo.
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