Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de junho de 2018
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu nesta quinta-feira que STF (Supremo Tribunal Federal) receba a denúncia apresentada contra o deputado federal e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL-RJ) pelo crime de racismo.
A manifestação é uma resposta a um documento apresentado na semana passada pela defesa de Bolsonaro, questionando a acusação. O advogado de deputado, Antônio Pitombo, afirmou que Raquel Dodge tem uma “visão parcial” em relação a ele.
O caso será analisado pela Primeira Turma do STF, mas ainda não há previsão para que isso ocorra. Se a denúncia for aceita, o deputado se tornará réu. O relator é o ministro Marco Aurélio Mello. A acusação contra Bolsonaro foi baseada em uma palestra que ele deu no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, em abril do ano passado. Para Raquel Dodge, ele demonstrou preconceito contra quilombolas e refugiados.
Um dos argumentos apresentados pelo advogado foi o de que as frases de Bolsonaro foram tiradas de contexto. Entretanto, a procuradora-geral afirma que os trechos utilizados são suficientes para demonstrar o crime, e que não é necessário apresentar a íntegra do discurso.
Outro ponto rebatido por Raquel Dodge foi de que as falas estão protegidas pela imunidade parlamentar. Antônio Pitombo havia alegado que as declarações do deputado apenas expressaram suas opiniões sobre temas relevantes.
Por fim, a procuradora-geral ainda sustenta que, ao contrário do que afirmou a defesa, a denúncia narra os fatos de forma clara e concisa.
“Atraso de vida”
Um vídeo divulgado pelo PSDB na noite da última quarta-feira chama de “atraso de vida” quem é “machista, racista e homofóbico”. A gravação tem endereço certo e termina com a inscrição “Bolsonaro? Tô fora!”. No vídeo, uma mulher menciona que não pode confiar em quem defende “esterilizar pobre, salários menores para mulheres e defesa de torturadores”, ideias relacionadas ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ). A peça faz parte da estratégia da campanha do presidenciável Geraldo Alckmin de rivalizar de forma mais aguda com o deputado federal na disputa pelo mesmo eleitorado.
A deputada federal Yeda Crusius (PSDB-RS), presidente do PSDB Mulher e primeira mulher a governar o Rio Grande do Sul (2007-2011), afirma que os adversários políticos são aqueles que se posicionam contra as mulheres. “O pessoal do Bolsonaro parece que reagiu muito contra [ao vídeo]. Mas a gente não escolhe adversário, adversário é quem é contra a ‘pauta mulher’. Conforme o nível das coisas [declarações] é porque realmente a pessoa é contra a mulher, que a mulher tem que ganhar menos, que a mulher isso e a mulher aquilo. Aí, esse é nosso adversário”, disse Yeda.
Estou nem aí para o Bolsonaro. Estou aqui para a pauta mulher. PSDB na frente, Geraldo presidente, ele deu todo o apoio”, disse sobre o presidenciável tucano. Segundo a deputada, o PSDB Mulher irá apresentar, em julho, sua contribuição para o programa de governo para a eleição de outubro. “A sociedade pede uma mudança e essa mudança é para uma sociedade menos violenta. A violência cai pesadamente sobre a mulher. Os partidos têm que assumir essa causa”, defende a deputada.
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