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Brasil A Procuradoria-Geral da República pediu a prorrogação do inquérito sobre o presidente Michel Temer

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Presidente atribui investigação a setores da oposição. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, concordou com a prorrogação, por mais 60 dias, do inquérito sobre o decreto dos portos, que apura o possível envolvimento do presidente Michel Temer em corrupção e lavagem de dinheiro.

O parecer da procuradora foi motivado por pedido da Polícia Federal, que afirma ser necessário mais tempo para concluir as diligências em andamento. O documento será agora enviado ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso, que decidirá se estica ou não o período das investigações.

A PF ainda não terminou a análise das quebras de sigilo bancárias e fiscais dos envolvidos no caso. Entre eles estão o coronel João Batista Lima Filho e o advogado José Yunes, amigos próximos de Temer.

Ainda estão sendo colhidos depoimentos considerados importantes para o desfecho das apurações.

Na quinta-feira foi ouvida em São Paulo uma das filhas do presidente, Maristela Temer, cuja casa foi reformada com o apoio do coronel e de sua mulher, Maria Rita Fratezi.

Parte das despesas da obra foi paga em dinheiro vivo por Fratezi. Um dos chamados a depor nesta sexta (4) foi Piero Cosulish, da Ibiza Acabamentos, que afirmou ter recebido em espécie da arquiteta.

Uma das linhas de investigação é a de que Temer teria lavado dinheiro de corrupção, supostamente recebido da JBS e de um contrato com a Engevix, em imóveis.

O presidente atribui as investigações a uma investida de setores oposicionistas.

Antecedentes

Em fevereiro, o ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, aceitou o primeiro pedido de prorrogação, também por 60 dias.

Além do presidente Michel Temer, são investigados no mesmo inquérito o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures e os empresários Antônio Celso Grecco e Ricardo Mesquita, donos da Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos.

No início do ano, ao responder por escrito aos questionamentos dos delegados responsáveis pelo caso, a defesa do presidente Temer declarou que ele nunca foi procurado por empresários do setor portuário para tratar da edição do decreto. Sobre o ex-deputado Rocha Loures, um dos investigados no inquérito, Temer disse que nunca o autorizou a fazer tratativas em seu nome. “Peço vênia para realçar a impertinência de tal questão, por colocar em dúvida a minha honorabilidade e dignidade pessoal”, escreveu.

Arthur Lira denunciado

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apresentou ao Supremo Tribunal Federal denúncia contra o deputado federal Arthur César Pereira de Lira (PP/AL) por peculato e lavagem de dinheiro. Relativa ao período em que o parlamentar era deputado estadual e exerceu cargo de direção na mesa diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas (2003 a 2006), a denúncia revela que Arthur Lira participou ativamente de um esquema de desvio de recursos públicos montado no órgão. O método utilizado pelos parlamentares envolvidos para desviar dinheiro consistia na apropriação de cheques emitidos em nome de servidores comissionados laranjas, bem como na realização falsos empréstimos bancários quitados com as verbas de gabinete.

No documento apresentado ao STF, a procuradora-geral aponta que as atividades criminosas retratadas fazem parte dos fatos descobertos a partir da Operação Taturana, deflagrada em 2007. As investigações revelaram a prática sistemática de crimes contra o patrimônio público na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas por quadrilhas que atuaram entre 2001 e 2007. Entre as pessoas envolvidas estava o atual deputado federal Artur Lira. Raquel Dodge ressalta que as investigações confirmam a participação de Lira no esquema por meio da realização de diligências que possibilitaram a coleta de provas. A PGR destaca, ainda, que o crime de quadrilha está prescito.

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