Quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de outubro de 2026
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dá um relativo respiro à ala majoritária do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é a de que, ainda que a Corte tenha que lidar com um Senado mais hostil a partir do ano que vem, há margem para conter o andamento de processos de impeachment. A dúvida é como ficará a situação de Alexandre de Moraes. Algoz do bolsonarismo por sua atuação nos inquéritos das “fake news” e da trama golpista, ele teve a estatura reduzida após vir à tona o suposto envolvimento no caso Master.
A avaliação é que Kassio Nunes Marques e André Mendonça podem ficar mais isolados do que nunca. A dupla presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições deste ano e, segundo ministros, teriam gastado todas as fichas apostando em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). A última delas aconteceu no domingo (25), diante das postura de Nunes Marques em relação ao pedido de prorrogação do horário de votação.
Sem uma posição da Justiça Eleitoral, o ministro do STF Cristiano Zanin decidiu prorrogar das 17h para as 19h, o que pode abrir margem para o grupo derrotado, mais uma vez, se voltar contra a Corte e questionar o resultado das urnas. Um ministro acha improvável que seja declarada a nulidade, diante da diferença de mais de 4 milhões de votos em Lula.
Além disso, a avaliação é de que a dupla Nunes Marques e Mendonça atuou para expor os colegas do Supremo ao ampliar a crise interna causada pelo Master, além de dar decisões para prejudicar Lula na reta final da campanha. Procurados, os dois não comentaram.
Exemplos disso, dizem, são a publicização, por Mendonça, do relatório da Polícia Federal (PF) que menciona mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, enviadas a um telefone que seria de Moraes. O tema foi muito explorado no primeiro turno e o desgaste recaiu sob Lula. Na última etapa, houve investidas contra o canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), e a retirada de pauta de julgamentos que poderiam prejudicar Flávio no TSE.
“Eles compraram briga com muita gente porque queriam virar donos do Supremo. É óbvio que haverá consequências”, afirmou em reserva um integrante do STF. Na visão dele, ainda é difícil fazer muitas antecipações dos próximos capítulos levando em conta o país dividido que emergiu dar urnas.
Há, no entanto, duas previsões: a de que a Corte não pretende, neste momento, largar a mão de Moraes e, se o impeachment caminhar, haverá atuação para que Nunes Marques, também com fortes suspeitas de envolvimento no caso Master, seja alvo de um procedimento semelhante.
Além disso, ministros e interlocutores acreditam que a Corte pode se fechar em torno de si mesma, como já fez em outros momentos em que se sentiu sob ataque, como nas eleições de 2022, depois do 8 de janeiro de 2023, no julgamento da trama golpista e nas ameaças dos Estados Unidos contra integrantes do STF. O presidente do Tribunal, Edson Fachin, que não quer ter a gestão marcada pelo impeachment de colegas, também pode adotar uma postura mais defensiva com relação ao Supremo.
Com o resultado da disputa presidencial, Lula deve, enfim, conseguir dar andamento à indicação da vaga aberta desde outubro de 2025, quando Luís Roberto Barroso antecipou a aposentadoria. Também vão se aposentar na gestão do petista os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Com isso, o governo terá ao menos quatro indicações nos próximos anos, número que pode aumentar se processos de impeachment andarem, de forma inédita, no Senado.
Se permanecer na Corte, Moraes assumirá a presidência do STF em setembro do ano que vem. O impeachment poderia antecipar a presidência de Nunes Marques, sucessor de Moraes, com Mendonça de vice. Ministros ainda não falam muito claramente sobre o assunto, mas há o burburinho de que se Moraes sair e Nunes Marques ficar, eles poderão escolher outro presidente para o STF em votação secreta. Normalmente, a escolha é simbólica, e segue uma ordem preestabelecida, que, até hoje, nunca foi descumprida.
O STF também tem um trunfo contra o impeachment. No final do ano passado, Gilmar deu uma liminar aumentando o quórum para o impedimento de ministros e dando ao procurador-geral da República a competência exclusiva para pedidos de afastamento de integrantes da Corte. O último requisito foi revisto pelo ministro, mas poderia ser retomado se o Tribunal se sentir ameaçado. (Com informações do Valor Econômico)
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