Sábado, 07 de março de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo A repatriação de médicos cubanos de países sul-americanos foi um golpe político e econômico para Havana

Compartilhe esta notícia:

(Foto: Divulgação)

Brasil, El Salvador, Equador, Bolívia: quatro países que mantinham acordos com o governo cubano para que médicos do país atuassem junto à população. Mas no último ano, cerca de 9 mil profissionais que atuavam nestas nações foram repatriados, uma decisão estimulada pelo governo de Donald Trump e que significou um duro golpe para a economia da ilha.

Os Estados Unidos acusam Cuba de “explorar mão de obra escrava”, já que o Estado fica com a maior parte do dinheiro por esses serviços. Mas para Havana, tudo não passa de uma campanha para desprestigiar um programa emblemático criado em 1963 e do qual mais de 400.000 pessoas participaram, atuando em 164 países.

“A cruzada dos Estados Unidos contra a cooperação médica internacional é um ato infame e criminoso”, tuitou o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, na quinta-feira (5).

Já no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, alega que o sistema foi aproveitado para infiltrar agentes de Inteligência.

Ajuste na receita

A reconfiguração política na América Latina, com uma sensível guinada à direita, acabou afetando o programa. No caso de Bolívia e El Salvador, cujos governos até recentemente eram aliados da ilha, o envio de médicos era um serviço gratuito.

“Milhares de pacientes ficam desprovidos de serviços médicos”, lamentou a doutora Luisa García, ao chegar a Havana procedente de La Paz. Ela e seus colegas foram recebidos como heróis.

No Equador, porém, os 382 profissionais que trabalhavam no país eram pagos pelo governo local, assim como os 8 mil médicos que deixaram o Brasil após a eleição de Bolsonaro, no final de 2018.

Foram golpes nas finanças de um programa que, segundo as estatísticas oficiais, movimentou US$ 6,398 bilhões em 2018. Com essa receita, o Estado cubano financia seu sistema público de saúde.

“Os serviços médicos continuam sendo a principal fonte de receita externa para a economia, e são contratos de difícil reorganização, porque dependem de acordos com os governos, muito sensíveis aos ciclos políticos”, explica o economista Pavel Vidal, da Universidade Javeriana da Colômbia.

Mesmo neste cenário, Michael Cabrera, subdiretor da Unidade Central de Cooperação Médica, órgão estatal que supervisiona o envio de médicos para o exterior, é otimista.

“Sabíamos que não continuaríamos no Brasil e já fizemos os planos (de 2019) em função dessa realidade (…) Estamos dentro do planejado, com a exceção do Brasil, que significava um [alto] percentual em todas as operações”, disse à AFP.

Em 2018, mais de 34 mil profissionais de saúde cubanos trabalhavam em 66 países. Historicamente, “mais de 95%” voltaram e, desde 2016, “99%” retornam à ilha, relatou Cabrera.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

O ex-presidente uruguaio, José Mujica defende a legalização da cocaína
Evo Morales comandará da Argentina a campanha presidencial de seu partido na Bolívia
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar