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Notícias A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul lançou um guia de prevenção do comportamento suicida em crianças e adolescentes

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Publicação detalha sinais que devem ser observados no comportamento de menores de idade.

O governo gaúcho lançou nessa terça-feira o “Guia Intersetorial de Prevenção do Comportamento Suicida em Crianças e Adolescentes”, editado pela SES (Secretaria Estadual da Saúde) em parceria com outros órgãos e entidades. A iniciativa está inserida na programação do Setembro Amarelo, mês temático de conscientização sobre o problema.

A publicação tem por objetivo orientar profissionais dos setores de saúde, educação, assistência social e segurança pública. Para obter uma cópia do material em formato digital, basta acessar o site www.saude.rs.gov.br.

Segundo especialistas, a decisão de interromper a própria vida é um fenômeno complexo e multifatorial que pode afetar indivíduos de diferentes origens, faixas etárias, condições socioeconômicas, orientações sexuais e identidades de gênero. Trata-se, porém, de algo que pode ser prevenido.

E o primeiro passo é reconhecer os sinais de alerta. “No caso de crianças e adolescentes, a sua situação peculiar de desenvolvimento exige ações que possam apoiá-los nesta fase e que contribuam para a prevenção da violência interpessoal e da violência autoprovocada”, ressalta o site oficial do governo.

Ao palestrar em um seminário sobre o assunto, realizado nessa terça-feira pela PUCRS (Pontifícia Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o médico André Luís Bendl descreveu os principais sinais de alerta para um possível comportamento suicida:

– Desesperança e preocupação com a própria morte;

– Manifestação de ideias ou intenções suicidas;

– Alterações nos níveis de atividade, humor, alimentação, hábitos de sono ou higiene pessoal;

– Baixa autoestima, isolamento em relação a amigos e familiares;

– Diminuição do rendimento escolar;

– Mudanças no vestuário para cobrir partes do corpo (blusas de manga comprida, por exemplo);

– Relutância em participar de atividades físicas antes apreciadas;

– Histórico de tentativas de suicídio, autoagressão ou transtorno mental, inclusive em pessoas próximas;

– Uso abusivo de álcool ou outras drogas;

– Ocorrência de bullying (inclusive por meio de internet, redes sociais e aplicativos);

– Situação de violência dentro ou fora do núcleo familiar, bem como de abuso sexual;

– Uso de álcool e outras drogas;

– Perfil vulnerável a pressões sociais e discriminação (LGBTI+, índios, afrodescendentes, pessoas em situação de rua, dentre outros).

Posvenção

André Bendl também mencionou o conceito de “posvenção”, trocadilho com a palavra “prevenção” e que designa atividades de intervenção, suporte e assistência para pessoas impactadas pelo suicídio de alguém próximo.

Relatou, ainda, iniciativas de combate ao problema, como a redução do acesso a métodos de suicídio, treinamento de equipes de saúde, melhora da rede de atendimento e controle sobre o acesso a bebidas alcoólicas. Outro aspecto importante salientado pelo médico o que deve ser evitado em situações suspeitas:

– Evitar a glorificação do suicídio como um ato corajoso ou racional;

– Não dar detalhes excessivos sobre eventos desse tipo em conversas;

– Reconhecer a perda e as dificuldades mas mudar a rotina o máximo possível;

– Evitar grandes reuniões em massa focadas no caso;

– Não criar espaços de homenagens ou dedicatórias a quem morreu dessa forma.

(Marcello Campos)

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