Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 1 de junho de 2021
Durante o depoimento da médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado, nesta terça-feira (1°), o senador Otto Alencar (PSD-BA), que também é médico, fez uma série de questionamentos sobre o coronavírus. Depois de fazer uma série de perguntas técnicas sobre a pandemia e sem obter respostas objetivas, o senador Otto Alencar (PSD-BA), disse que Nise Yamaguchi jamais poderia tratar do assunto por não ter conhecimento científico relativo à matéria. “A senhora não sabe nada de infectologia, nem estudou doutora”, disse o senador ao não ter uma de suas questões técnicas respondidas pela médica
Segundo o parlamentar, ela “jogou no escuro com um grupo de pessoas que não entendia absolutamente nada da doença e brincou com a saúde do povo brasileiro”.
O senador perguntou, por exemplo, a diferença entre um vírus e um protozoário; a que grupo pertence o coronavírus; detalhes sobre o primeiro caso do coronavírus no mundo e sobre os exames adequados para a detecção de imunidade celular.
“A senhora nem sabe quando começou a primeira manifestação do coronavírus no mundo. Não podia, de jeito nenhum, estar debatendo um assunto que não era do seu domínio. Isso não é honesto […] Me perdoe, eu não queria nem constranger a senhora, porque eu vi logo do começo que sabia de oncologia e de imunologia, mas não tinha nada de conhecimento de infectologia. Já vi logo do começo. Estava na dúvida se eu vinha lhe questionar ou não, para não deixar a senhora, como se diz na gíria, em uma saia justa”, acrescentou.
Diante do constrangimento, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) defendeu a médica e pediu que as pessoas sejam “tratadas com humanidade” pela comissão. Depois de alguns protestos, inclusive de Otto Alencar, o presidente Omar Aziz, decidiu suspender a reunião para um intervalo.
Ao longo do depoimento, a especialista defendeu reiteradamente o tratamento “rápido e prematuro” dos pacientes para impedir que a doença evolua. Ainda segundo ela, o “tratamento precoce” não compete com as vacinas. Após ouvir o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) falar sobre o tema, Nise falou contra a “demonização” do uso de cloroquina.
“Tentar demonizar o tratamento precoce e as pessoas que o defendem é muito sério e grave. E a gente deve se levantar para defender nossa honra. O que existe é tentativa de destruição de tratamento que tem salvado vidas. Quando os senhores receberem as informações técnicas sem vieses, terão outra visão”, afirmou.
Nise Hitomi Yamaguchi defendeu o uso da cloroquina como integrante do tratamento inicial contra a covid-19, a autonomia dos profissionais de saúde para prescrever e a independência dos pacientes, mas negou que tenha tentado alterar a bula do remédio ou tenha participado de reunião com esse objetivo. Nise também negou participar de um “conselho paralelo” que formule políticas públicas, mas reconheceu ter trabalhado como “voluntária” com um “grupo de médicos” junto ao governo Bolsonaro. As informações são da Agência Senado.
Os comentários estão desativados.