Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde A tecnologia coloca em risco a felicidade dos casais

Compartilhe esta notícia:

Evento reunirá os maiores executivos do setor de alimentação para um debate sobre como os restaurantes estão se preparando para atender às demandas da geração Z, e toda a renda será revertida para ajudar crianças e adolescentes na luta contra o câncer. (Crédito: Reprodução)

Falando de um jeito equilibrado e tentado a evitar um tom demasiadamente crítico, mas ainda assim parecendo cético, meu namorado diz: “Espero que você não esteja trabalhando”. Durante uma pausa em nossa conversa, no jantar em um restaurante local, eu tolamente apanhei o celular no bolso, o destravei com uma mão só e, sim, enquanto o segurava por sob o tampo da mesa, estava discretamente tentando digitar uma resposta a um e-mail de trabalho. “Ahn… talvez”, eu consegui responder, apertando o botão de envio e guardando o celular.

Por sorte, ao longo de nosso relacionamento, descobri que somos muito parecidos em nosso interesse pela tecnologia. Excetuadas algumas diferenças de opinião sobre o uso de telefones em espaços públicos, nossos hábitos são notavelmente semelhantes. Fico imaginando se o nosso namoro teria durado tanto caso não fôssemos tão tecnologicamente compatíveis.
De qualquer forma, 62% dos americanos parecem concordar com meu namorado e acreditam que usar o celular no restaurante não é legal. Isso deixa os 38% que não veem problema nisso como possíveis companheiros de jantar para mim.

Essas estatísticas foram publicadas em um relatório sobre as constatações de uma pesquisa quanto à “etiqueta no uso de aparelhos móveis” conduzida pelo Pew Research Center. O relatório não cobre, no entanto, as atitudes dos casais quanto ao uso desse tipo de aparelho. Para descobrir o que as pessoas pensam sobre isso, é preciso recorrer a estudos acadêmicos.

No International Journal of Neuropsychotherapy, em 2014, pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, delinearam uma investigação quanto ao impacto do uso de computadores de mesa, laptops, smartphones e televisores sobre os casais.

Eles propõem que “se um parceiro em um relacionamento se afasta de uma interação pessoal e dedica sua atenção à tecnologia [ou seja, ao laptop], o outro pode interpretar o fato como ameaça à sua necessidade de sentir envolvimento e controle sobre o relacionamento”.

 
Interação.

O grau de intensidade dessa ameaça parece se relacionar ao menos em parte à maneira pela qual um aparelho é usado. Isso foi ilustrado pelos resultados de uma pesquisa conduzida por pesquisadores sobre 21 casais heterossexuais. A idade média dos casais era de 31 anos, e eles estavam juntos por aproximadamente seis anos.

O interessante é que os entrevistados que reportaram forte envolvimento e interação com seus parceiros quando estavam usando aparelhos também tenderam a reportar mais satisfação, concordância e sentimentos positivos sobre seus relacionamentos.

Acredito que eu tenha observado provas dessa afirmação no mundo real, durante um casamento realizado em um grande hotel. Diversas vezes durante a festa, uma mulher apanhava o celular para usar a câmera. Em cada ocasião, o marido a ajudava a encontrar a luz e a composição certa para uma foto. Os dois pareciam estar curtindo muito o trabalho conjunto. Quando perguntei a respeito, eles timidamente admitiram que seu uso do celular se estende a enviarem emoticons um ao outro de aposentos diferentes de casa, para “contar como estamos, se estamos com fome ou sono”.

É uma experiência que contrasta com as queixas de um par de colegas sobre a incompreensão de seus parceiros quanto a seus hábitos de uso de tecnologia – quanto mais usar a tecnologia para criar mais proximidade. Mas nos dois casos, os relacionamentos surgiram antes da revolução do smartphone, e são bastante sólidos em outras áreas.

Há alguns dias a Flurry, uma companhia de análise de dados sobre o uso de tecnologia móvel, reportou que os consumidores dos Estados Unidos dedicam, em média, 220 minutos por dia aos seus celulares, um aumento de 35% ante o ano passado.

Nesse contexto, não só o risco de uso excessivo deveria ser levado em conta como deveríamos refletir sobre a melhor maneira de adaptar nossos costumes tecnológicos para evitar excluir as pessoas que nos são mais próximas. Como em qualquer relacionamento longo, é preciso encontrar terreno comum para lidar com os hábitos do parceiro.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Reforma política aprova doação oculta de campanha
Betty Lago lutava contra um câncer na vesícula desde 2012
Pode te interessar