Segunda-feira, 15 de junho de 2026

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Acontece A virada do saneamento gaúcho: o que mudou e o que ainda precisa acontecer até 2033

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Em Esteio, a Corsan/Aegea instalou fábrica de tubos com capacidade de produzir 200 km por mês para atender à expansão dos projetos de saneamento.

Foto: Divulgação Corsan/Aegea.

Com a entrada do Grupo Aegea no controle da Corsan, Estado acelera obras, amplia cobertura e enfrenta o desafio de universalizar o serviço

Da estagnação à escala: o ponto de inflexão

A transformação do saneamento no Rio Grande do Sul começou em julho de 2023, quando o Grupo Aegea assumiu a Corsan. O cenário era crítico: 257 dos 317 municípios atendidos tinham 0% de cobertura de esgoto, e apenas 19% da população era atendida.

Em pouco mais de dois anos, a cobertura subiu para 29%, beneficiando mais de 850 mil pessoas e adicionando mais de mil quilômetros de redes — um avanço equivalente a um terço do realizado em quase seis décadas.

Investimentos recordes e impacto imediato

Em 2025, os investimentos chegaram perto de R$ 2 bilhões, com metade aplicada em obras já entregues. Foram 545,6 quilômetros de redes — equivalente à distância entre Porto Alegre e Florianópolis — e 41.962 novas ligações de esgoto.

O impacto é direto: mais de 1 milhão de pessoas beneficiadas, 2.577 empregos gerados e a retirada anual de 2,9 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento da natureza.

2026 acelera ainda mais o ciclo de expansão

Para 2026, o plano prevê 1.741 quilômetros de redes (distância próxima à de Porto Alegre a Salvador), 155.836 novas ligações e a geração de 7.373 empregos — equivalente a todo o mercado de trabalho de uma cidade do porte de Tapejara.

A expansão deve beneficiar mais 955 mil pessoas e evitar o despejo anual de mais de 7,2 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento no meio ambiente.

Obras já transformam cidades

O ano de 2025 consolidou entregas em todas as regiões. Mais de 1 milhão de pessoas foram beneficiadas apenas nos projetos concluídos.

Municípios como Esteio, Pedras Altas e Aceguá já ultrapassaram 90% de cobertura de esgoto. Ao mesmo tempo, cidades como Viamão, Gravataí, Santa Maria, Canoas, Bento Gonçalves, Cachoeirinha e Lajeado — entre dezenas de outras — somam cerca de 1,093 milhão de gaúchos diretamente atendidos.

Impacto econômico e social estrutural

O ciclo de investimentos pode gerar cerca de 47,2 mil empregos por ano no Estado — sendo 5,3 mil diretos, 31,4 mil indiretos e 10,4 mil induzidos.

Na saúde, o impacto é direto. Em 2024, o Estado registrou 11.713 internações por doenças de veiculação hídrica. A expansão do saneamento atua na origem do problema. Experiências do grupo reforçam esse efeito: em Águas Guariroba (MS), houve queda de 72% nas internações; na Prolagos (RJ), redução de 80% e de 70% nos custos hospitalares.

O desafio até 2033

A meta é universalizar o acesso: 99% da população com água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033. Apesar dos avanços, o desafio segue enorme e exige manter o ritmo acelerado. As obras trazem impactos temporários, como intervenções urbanas, mas são essenciais para superar décadas de subinvestimento.

Um novo vetor de desenvolvimento

A entrada do Grupo Aegea reposiciona o saneamento como vetor estratégico. Além de reduzir doenças, o avanço impulsiona valorização imobiliária, turismo e produtividade.

Se o ritmo for mantido, o Estado pode transformar um passivo histórico em uma das principais alavancas de desenvolvimento econômico e social até 2033. (Por Gisele Flores)

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