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Por Redação O Sul | 22 de março de 2019
A visita do presidente Jair Bolsonaro ao Chile, a primeira que ele faz ao país desde que tomou posse, está gerando forte polêmica no território andino. Bolsonaro desembarcou no fim da tarde de quinta-feira (21) em Santiago. De um lado, a oposição, que tem maioria no Congresso, e entidades de direitos humanos rejeitam a visita de Bolsonaro por conta de declarações elogiando o ditador Augusto Pinochet (1915-2006), feitas durante a campanha presidencial.
De outro está o anfitrião, o presidente Sebastián Piñera, de centro-direita, e parlamentares da base governista, que veem a visita como uma forma importante de aproximar os dois países.
“É muito pouco democrático rejeitar a visita de um presidente democraticamente eleito pelos brasileiros em eleições limpas e que não foram questionadas”, disse a senadora Jacqueline Van Rysselberghe, do partido de direita UDI (União Democrática Independente), que integra a base governista e é próxima a Piñera. “Não nos corresponde como chilenos questionar decisões soberanas de outros países. E Bolsonaro é fundamental para que superemos as políticas de esquerda, que acabaram em escândalos de corrupção.”
Bolsonaro foi convidado por Piñera para participar junto com outros líderes regionais de discussões sobre o lançamento do organismo regional Prosul. A entidade pretende ocupar o lugar da Unasul (União de Nações Sul-americanas), que teve respaldo dos ex-presidentes Lula e de Hugo Chávez, entre outros políticos de centro-esquerda.
Para o analista e professor da Universidade de Valparaíso Guillermo Holzmann, a Prosul simbolizaria a guinada à direita da região e teria objetivos como a coordenação de políticas sobre a Venezuela e de medidas econômicas e comerciais voltadas, entre outros, para países da Ásia-Pacífico.
Para Holzmann, a divisão sobre a visita de Bolsonaro se deve “às declarações sobre Pinochet e mais recentemente sobre (o ditador) Alfredo Stroessner, do Paraguai, além do que já disse sobre as mulheres, que não são bem vistas por políticos e pelos setores que defendem a democracia e condenam os anos de ditadura na região”.
Bolsonaro elogiou o ditador Stroessner em encontro recente com o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, que é filho de um dos principais assessores do mandatário que governou o país entre 1954 e 1989. Ao chegar ao Chile, Bolsonaro disse, segundo veículos locais, que “aqui não vou falar de Pinochet”.
Para Holzmann, a presença do presidente brasileiro reforçará a imagem de Piñera como líder da centro-direita no Chile, o que poderá dificultar o andamento dos seus projetos no Congresso – o governo não tem maioria no Parlamento.
Já na visão do professor de relações internacionais da Universidade del Desarrollo, Matthias Erlandsen, com a visita de Bolsonaro, Piñera poderá ampliar a simpatia dos evangélicos chilenos a sua gestão. Ao contrário do Brasil, a bancada evangélica chilena ainda é tímida, segundo analistas, mas como em vários vizinhos, teria crescido nos últimos anos.
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