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Geral Ação de assessor de Trump acende alerta sobre risco de intervenção nas eleições brasileiras

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O episódio da revogação do visto de assessor de Donald Trump jogou luz sobre o risco de intervenção dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

O episódio da revogação do visto de Darren Beattie, assessor de Donald Trump que pediu para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na cadeia, jogou luz sobre o risco de intervenção dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Este receio sempre esteve no radar de autoridades brasileiras, mas a divulgação de pesquisas recentes indicando situação de empate no segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), coincidindo com entrada de Beattie no cenário, sugerem que a ala bolsonarista do governo americano viu uma oportunidade para recolocar o time em campo.

Fontes governistas e do PT ouvidas pelo jornal Valor Econômico admitem, nos bastidores, que os recentes levantamentos de institutos como Datafolha e Quaest podem influenciar ações de autoridades americanas que mantenham laços com a família Bolsonaro. Responsável desde o início pela relação com a ultradireita internacional, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro – cassado por excesso de faltas em dezembro – mudou-se há mais de um ano para os Estados Unidos para articular com aliados de Trump o fim do julgamento sobre a tentativa de golpe e comemorou a tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras ao país.

Uma fonte diplomática afirmou que, atualmente, Lula e Trump mantêm uma relação de “respeito mútuo”, mas ponderou que sempre existiu, no Departamento de Estado americano, uma ala alinhada ao bolsonarismo. A avaliação interna é que os setores que articularam o tarifaço continuam lá, e na atual conjuntura brasileira, enxergaram uma brecha para tentar reocupar espaço e tomar conta da agenda.

Este diplomata observou que o dia 9 de julho de 2025, quando Trump anunciou a tarifa explosiva sobre exportações brasileiras, será lembrado para sempre como a data “infame” em que a democracia brasileira sofreu uma de suas maiores agressões de uma nação com quem mantinha relações de amizade havia 201 anos. Por isso, o cenário atual não pode ser interpretado isoladamente, mas, sim, no contexto de disputas internas na Casa Branca que nunca cessaram.

Em contrapartida, a avaliação no Itamaraty é de que a revogação do visto de Beattie não tem potencial para azedar a relação com a Casa Branca, ou tumultuar as negociações da visita oficial de Lula ao país em abril ou maio. Diplomatas estão convictos de que o Brasil deve manter a postura soberana em situações como essas, tal qual ocorreu no tarifaço, quando houve pressão para que o mandatário brasileiro telefonasse para Trump.

No entorno do chanceler Mauro Vieira, há dúvidas, até mesmo, se o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teria conhecimento da movimentação de Beattie, que teria, entre outros objetivos, buscar informações sobre o sistema eleitoral brasileiro. O assessor para assuntos relacionados ao Brasil pediu o visto para uma viagem oficial, a fim de participar de um evento sobre minerais críticos. Contudo, somente solicitou agendas com autoridades brasileiras depois que veio a público o pedido de visita a Bolsonaro, que está preso na Papudinha.

A constatação é de que houve má-fé, uma falha inadmissível entre canais diplomáticos, e por isso, prevalece a “reciprocidade” invocada no precedente à revogação dos vistos americanos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, da esposa e da filha dele.

“Aquele cara americano que disse que vinha para cá, para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado”, afirmou Lula, em agenda no Rio de Janeiro na sexta-feira (13).

Fontes ouvidas pelo jornal Valor Econômico não visualizam eventual intervenção explícita dos Estados Unidos na sucessão presidencial brasileira, até porque se o objetivo for ajudar a família Bolsonaro a voltar ao poder, as pesquisas recentes mostraram que um apoio público de Trump a Flávio Bolsonaro poderia prejudicá-lo ao invés de fortalecê-lo na disputa.

Levantamento da Quaest divulgado na semana passada mostrou que cresceu o índice de rejeição dos brasileiros aos Estados Unidos, em especial, depois do tarifaço. Segundo o instituto, 48% dos brasileiros desaprovam o país americano, índice que era de 25% em outubro de 2023. Não se descarta, entretanto, movimentos de interferência sutis. Há incerteza, por exemplo, quanto ao comportamento das “big techs”, território onde a direita bolsonarista trafega com ampla desenvoltura desde 2018. As informações são do jornal Valor Econômico.

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