Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2026
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, disse na quarta-feira (22) que o papel do delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos EUA seguiu o acordo de cooperação internacional estabelecido entre Brasil e Estados Unidos para a atuação de agentes brasileiros da instituição no país.
“Não há a menor sombra de dúvida de que essa participação da PF é alicerçada na cooperação internacional, nos acordos que temos com Estados Unidos. São mais de uma dezena de acordos que permitem a atuação dos nossos policiais no exterior”, disse Andrei.
Rodrigues disse que Marcelo trabalhava nos Estados Unidos repassando informações ao ICE. O diretor da PF classificou o delegado como um “exemplar servidor”, que localizou 49 foragidos da Justiça brasileira nos EUA e ajudou em 56 deportações.
No caso do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) – preso nos EUA após uma infração de trânsito identificar que ele estava com o visto vencido –, o diretor explicou que foi feita uma abordagem a partir de uma infração de trânsito cometida pelo ex-deputado. Quando os agentes pediram a identidade do motorista, verificaram que o visto de Ramagem tinha sido cancelado pelo ICE.
“A informação que chegou ao ICE e ao agente de trânsito local partiu da PF brasileira. Se não fosse a cooperação internacional, as agências americanas não teriam essa informação”, disse Andrei.
O diretor da PF disse ser uma “insanidade” boatos de que o delegado brasileiro teria feito diligências atrás de Ramagem ou que estaria “enganando” agências americanas.
“Isso não faz parte do protocolo do trabalho da PF no Brasil ou no exterior.”
Credenciais diplomáticas
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, retirou as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília. Segundo ele, a iniciativa é um ato do governo brasileiro em reciprocidade à decisão do governo estadunidense de determinar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da PF, dos EUA.
“Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, afirmou Andrei durante entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews.
O ex-deputado foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista. Ele fugiu para os EUA.
Na última segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora a postagem não cite nomes, o texto indica que se trata de um delegado da Polícia Federal envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Ramagem foi solto no último dia 15 após ficar dois dias preso na Flórida. No início deste mês, o ex-deputado, que é considerado foragido no Brasil, foi preso em Orlando por questões migratórias. Segundo informações preliminares, ele foi abordado na rua e detido por conta de um visto vencido. Por isso, foi levado a um centro de detenção na Flórida, onde permaneceu por dois dias. Em 15 de abril, ele foi liberado de forma administrativa e agradeceu às autoridades norte-americanas em um vídeo publicado nas redes sociais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou na quarta-feira (22) a ação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília.
Segundo Lula, a medida corresponde ao princípio da reciprocidade. “Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse Lula, em vídeo nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
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