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Política Acareação no Supremo deve mirar a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master

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A acareação foi marcada pelo ministro Dias Toffoli. (Foto: Fellipe Sampaio/STF)

A acareação marcada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, deve ter como um dos principais focos a atuação do Banco Central (BC). A audiência, prevista para 30 de dezembro (quarta-feira), durante o recesso do Judiciário, pode colocar o órgão regulador no centro das investigações.

Toffoli determinou que seja realizada uma acareação entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. A sessão será realizada por videoconferência.

Segundo interlocutores do Supremo, Toffoli quer esclarecer quando o BC tomou conhecimento das suspeitas sobre operações do Master, quais medidas foram adotadas na fiscalização do mercado de títulos bancários e identificar eventuais responsáveis por falhas nesse processo.

De acordo com esses interlocutores, o ministro do STF quer entender se houve demora para decretar a liquidez do banco e os motivos disso.

A acareação foi vista por integrantes da PF, PGR e STF como não usual e é apontada ainda como uma nova frente de pressão sobre o Banco Central.

Vorcaro, Costa e Aquino serão ouvidos porque Vorcaro tentou vender o banco para o BRB, em operação vetada pelo Banco Central em setembro diante das suspeitas que já estavam em curso de operações fraudulentas feitas pelo Master – que nega irregularidades.

O caso envolve fraudes financeiras que podem somar R$ 12,2 bilhões de reais, relacionadas à tentativa de venda do Banco Master ao BRB e à emissão de títulos de crédito suspeitos de não ter lastro. A Polícia Federal investiga a chamada Operação Compliance Zero, que resultou na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central e na prisão de Vorcaro em novembro de 2025.

A investigação apura um suposto esquema de emissão e negociação de títulos de crédito sem lastro, conhecidos no mercado como “títulos podres”.

A investigação apura suspeitas de que esses papéis teriam sido vendidos a outras instituições financeiras, incluindo o BRB, com prejuízos estimados em até R$ 12,2 bilhões.

Em um dos casos, o Master vendeu ao banco estatal uma carteira de crédito de R$ 303 milhões vinculada a uma empresa registrada em nome de uma atendente de lanchonete, apontada pelo Ministério Público como laranja em um esquema fraudulento. As informações são do jornal O Globo.

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