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Celebridades “Acho inconcebível um apresentador de programa de auditório não ter informação”

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Serginho Groisman diz que não se enxerga como um jovem. Crédito: Reprodução

Acostumado a entrevistar personalidades e a dar espaço para os jovens na televisão com seu famoso bordão “Fala, garoto”, foi a vez dele ser sabatinado. Durante uma entrevista, Serginho Groisman soltou o verbo. Confira.

Com tanto tempo na TV, se dirigindo aos jovens, o “fala, garoto” já virou sua marca. Você se vê como um ícone da comunicação para eles?

Serginho Groisman – Não e não me enxergo como jovem. Trabalho com essa plateia por alguns motivos bem claros, mas em nenhum momento eu achei, e pior seria agora achar, que eu teria a mesma energia, identidade. Seria ridículo eu entrar de bermudão (risos). O que tento ser é um jornalista, como sempre fui, de formação. Meu trabalho não começou em TV, começou como jornalista e o que eu tento fazer é misturar o jornalismo com o entretenimento, tendo uma plateia jovem. Isso não significa que o programa seja jovem, segmentado, sabe? Ele tem uma abrangência maior, a gente fala de tudo, não só de assunto jovem. A gente tem o ponto de vista jovem no programa que é a plateia.

E o que faz para se reinventar?

Groisman – Primeiro estar muito atento ao que está acontecendo, isso é uma coisa muito importante, e não significa só música, nem só cultura, mas estar atento a tudo. Desde que me conheço sempre fui muito curioso em querer saber das coisas, me envolvi sempre com questões políticas, econômicas, culturais. Então eu tento fazer com que o programa seja um pouco reflexo disso, sabe? Acho inconcebível um apresentador de programa de auditório não ter informação. Se você for um apresentador de receitas culinárias, se um sírio for lá fazer um tabule, você tem de saber o que está acontecendo no mundo, ter referências.

No auge da tecnologia, com os jovens ligados na internet, o que você acha que os atrai no “Altas Horas”?

Groisman – Hoje, com a internet, as pessoas podem se manifestar. Mas antes da internet, eu trouxe uma plateia que podia se manifestar na TV e que às vezes transformava o programa, ou melhor, tão forte quanto os convidados, era o papel da plateia. E ainda é. Tanto é que, a luz que eu faço, se você olhar, é a mesma, não tem um foco no entrevistado e a plateia escura, é tudo igual. E os convidados ficam bem perto da plateia, porque quero que eles meio que se confundam, sabe? E, como te disse, acho que estar atento ao que está acontecendo, misturar coisas populares com coisas que normalmente não se apresentam na TV é uma coisa característica minha.

Que diferença você vê entre os jovens da época do programa “Matéria Prima” (da TV Cultura, 1990) e os de hoje?

Groisman – Acho que o que mudou realmente foi a internet, que antes não tinha. Recebia cartas, em rádio usava muito o telefone. A internet mudou a vida de todo mundo, inclusive dos jovens. Mas ainda acho que se lê pouco no Brasil. Acho que a leitura deveria estar mais presente. As pessoas falam que hoje se lê muito no tablet, no computador, mas eu não sei, não me parece isso. Agora, isso não é culpa do jovem. Eu acho que se a gente tem de atribuir uma responsabilidade a isso é a escola. Eu não gostava de ler porque era obrigado, e quem mudou minha vida para leitura foi uma professora, ela chamava Evelyn. Acho que a escola precisa buscar o prazer e o prazer significa você se identificar, achar algo legal. É fundamental a gente ler Graciliano Ramos, Machado de Assis, todos os clássicos. Mas seria importante misturar com autores que tenham a ver com você, nem que seja pra ler “Crepúsculo” ou autores brasileiros mais populares. Quando cheguei na TV, em 1988, já tinha 38 anos e achava que podia fazer TV porque passei a vida fazendo outras coisas, indo a cinema, teatro, me interessando por política. E eu continuei fazendo isso. Mas tem gente que acha que a profissão é aquilo e você tem de se ater aquilo. Então, às vezes eu acho que uma TV melhor se faria com pessoas que tivessem um leque maior. (DSP)

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