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Celebridades “Acho que a masculinidade frágil está saindo de moda”, diz Caio Blat

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Ator fala sobre ser um homem afetuoso e da estreia na direção de cinema com filme que une amor e política. (Foto: Reprodução)

Caetano Veloso já disse que sexo e política são os assuntos mais interessantes que existem. Caio Blat, que não é bobo nem nada, foi lá e juntou os dois temas em um filme só. “O debate”, que chega aos cinemas no dia 25 de agosto, marca a estreia do ator de 42 anos na direção de longa-metragem. Caio foi convidado por Guel Arraes, seu sogro, e Jorge Furtado para levar à telona a adaptação do livro homônimo da dupla, lançado em 2021, pela editora Cobogó.

Na obra, dois dos maiores diretores e roteiristas brasileiros apresentam a história do casal de jornalistas Paula e Marcos, âncora e editor de uma emissora de TV, que embarcam numa intensa DR amorosa, misturada a embates sobre temas quentes da atualidade, como pandemia, aborto, armamento e segurança pública. Tudo isso nos bastidores do último debate presidencial antes do segundo turno das eleições no Brasil de hoje.

“Assim como ‘Marighella’, do Wagner Moura, e ‘Medida provisória’, do Lázaro Ramos, que têm forte conteúdo político relacionado à história do país, esse filme é uma resposta da nossa experiência como artista vendo o Brasil se transformar. Fico orgulhoso de estrear na direção no mesmo ano que esses caras e juntar amor e política, os temas mais importantes da minha vida”, afirma Caio.

Ele conta que, no set, a equipe atualizava o texto diariamente para incluir a avalanche de acontecimentos que brotam no Brasil a cada minuto. A dinâmica levou Jorge Furtado a definir o projeto como “cinema ao vivo”.

“Fiz muitos filmes que refletem sobre a história do país a posteriori, como ‘Batismo de sangue’, ‘Carandiru’, ‘Xingu’… É a primeira vez que a gente fala sobre algo que está para acontecer. O único cineasta que conseguiu fazer um filme enquanto um evento acontecia foi Chaplin, em ‘O grande ditador'”, lembra Caio.

Para o diretor, a urgência dos fatos é tanta que provocou a necessidade de o cinema se antecipar e refletir imediatamente. E Caio conseguiu um feito talvez sem precedentes no mercado nacional: estrear 40 dias depois do início das filmagens. Ele credita a rapidez ao engajamento da equipe, que leva fé na iminência dos temas e ainda topou trabalhar praticamente sem remuneração.

Nesse todo mundo aí inclui-se Debora Bloch e Paulo Betti, que interpretam Paula e Marcos. A atriz embarcou na aventura cinco dias antes do início das filmagens, depois que Andréa Beltrão pegou Covid e deixou o projeto. Foram menos de uma semana de ensaio e muitas negociações sobre a quantidade de texto que era possível decorar nesse pouco tempo.

“O debate nasceu da urgência artística de participar desse movimento político num momento em que a história está em jogo. De, através do nosso trabalho, lutar pela democracia, pelo estado de direito. E da ideia de promover o debate sobre como a pandemia foi conduzida, sobre os ataques à liberdade, sobre a importância do jornalismo no processo democrático”, enumera Debora, que destaca a segurança de Caio em sua primeira direção. “Parecia um diretor experiente, tinha o roteiro decupado frase por frase.”

Paulo Betti aponta como diferencial de Caio a intimidade com o ofício da interpretação. “Ele sabe orientar os atores. Se preparou. É excepcional revelação de diretor”, disse.

Voltando ao filme, Caio defende que o longa propõe a “utopia” do retorno do debate sem cancelamento.

“Perdemos a capacidade de ouvir o outro. Famílias brigaram, casais se separaram… O diálogo se rompeu na política e nos relacionamentos”, enfatiza. “E sabemos que ele não pode acontecer em cima da mentira. Por isso, fazemos a defesa dos meios que verificam a notícia. O filme é uma bandeira contra fake news e foi construído em cima de flashbacks para a gente lembrar os absurdos dos últimos 3, 4 anos a gente naturalizou”, observa ele, que contou com consultoria de jornalistas como Aline Midlej, da Globonews.

Para além da política, o grande acerto do longa é o debate amoroso. Em vez de um discussão cabeçuda sobre política e temas pesados, o que se vê na tela é um filme de amor, com um casal que se ama profundamente, mas decide se separar após 17 anos de relação. Não sem antes expor suas suas entranhas divergindo sobre monogamia, sexo, desejo, ciúme e liberdade.

A conversa que se estabelece é madura, repleta de afeto e compreensão num momento em que as pessoas costumam perder a sanidade. Caio se inspirou em Domingos Oliveira, que discutiu como poucos as dores da separação.

“Já vimos muito filme de separação, traição, briga. Acho que esse agora chega num lugar inédito que o Guel, que havia se separado há pouco, coloca: a proposta de uma separação apaixonada. Eles saem da relação se amando mais que antes. Viram melhores amigos e passam a falar a verdade completa, coisas que não falavam durante o casamento”, destaca Caio.

Ele também ressalta que: “Muitos homens não se permitem ser afetuosos. Quantas vezes um pai deixa de ser afetuoso com filho porque há esse distanciamento masculino? Às vezes, homens tomam susto quando chego beijando meus amigos. Essa masculinidade é frágil e tóxica para todos. Mais ainda para mulheres, que convivem há anos com a violência. Mas acho que a masculinidade frágil está saindo de moda, está cafona. A pior coisa de que alguém pode ser chamado hoje é de hétero top, virou uma figura antiquada”. Esse jeito fluido não é planejado, garante o ator.

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