Sexta-feira, 31 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 8 de abril de 2019
Os acionistas da Nissan aprovaram por maioria nesta segunda-feira (8) destituir Carlos Ghosn, ex-presidente-executivo e ex-presidente do conselho de administração da montadora japonesa, cortando seus últimos laços com o executivo brasileiro preso pela segunda vez na quinta-feira (4). As informações são do portal de notícias G1.
Os acionistas votaram em uma reunião de emergência por destituir também Greg Kelly, ex-diretor próximo a Ghosn, e nomear o atual presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, como membro do conselho de administração da Nissan.
Carlos Ghosn liderou a montadora japonesa por duas décadas e foi dispensado do cargo em 22 de novembro, três dias após ser preso pela primeira vez em Tóquio, mas continuou como membro do conselho até que a decisão fosse ratificada hoje.
Antes da votação, o atual presidente-executivo da Nissan, Hiroto Saikawa, afirmou que a montadora japonesa considera pedir indenização do brasileiro por má conduta financeira e que o escândalo “não é uma questão que podemos consertar do dia para a noite”.
Saikawa afirmou ser preciso melhorar a governança da empresa, prepará-la para os próximos passos “e então passar o bastão da liderança”.
Duas prisões
O brasileiro resgatou a Nissan da falência e forjou uma aliança mundial com a francesa Renault e a também japonesa Mitsubishi, uma das maiores alianças do setor automotivo, mas caiu em desgraça no Japão após a sua primeira prisão.
O brasileiro, que também tem cidadania francesa e libanesa, foi preso pela segunda vez devido ao “risco de destruição de provas”, segundo a Promotoria japonesa. A Justiça estendeu a detenção do executivo até domingo.
Ghosn diz ser inocente de todas as acusações e afirma ser vítima de um golpe. Seus advogados dizem que sua segunda prisão foi uma tentativa de amordaçá-lo, pois ocorreu um dia após o executivo ter anunciado que concederia uma coletiva de imprensa na quinta-feira (11).
Sonegação financeira
Um tribunal de Tóquio prorrogou, na sexta-feira (5), até o dia 14 de abril, a prisão provisória do ex-presidente da Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn. O executivo voltou a ser detido por novas suspeitas de sonegação financeira.
A promotoria pediu ao tribunal que aceitasse a prorrogação da detenção, inicialmente por um período máximo de 48 horas, e o juiz aceitou aumentar para mais dez dias depois da data em que Ghosn foi preso.
O ex-executivo foi preso desta vez devido à existência de um “risco de destruição de provas”, declarou o procurador adjunto Shin Kukimoto.
Ghosn havia saído da prisão – sob fiança – em 6 de março, acusado de três crimes por declarações inexatas de rendimentos entre os anos 2010 e 2018 em documentos que a Nissan entregou a autoridades financeiras.
A investigação que motivou a nova prisão refere-se a uma transferência de milhões de dólares para uma distribuidora de carros da Renault e da Nissan em Omã, no Oriente Médio.
Segundo a promotoria, parte do dinheiro transferido, cerca de US$ 5 milhões, acabou em uma conta bancária controlada pelo Ghosn. De acordo com a mídia local, o dinheiro foi usado para pagar por um iate familiar e cobrir empréstimos pessoais, destaca a agência Efe.
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