Sábado, 09 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de maio de 2026
Homologada nesta semana, a transação judicial envolvendo a massa falida da Companhia Dosul de Abastecimento marcou avanço relevante em um dos mais antigos e complexos processos falimentares em tramitação no Rio Grande do Sul. A audiência foi presidida pelo titular do 2º Juizado da Vara Regional Empresarial de Porto Alegre, Gilberto Schäfer.
As tratativas envolvem as empresas Comprebem Comércio e Transportes e Nacional Central de Distribuição de Alimentos. Com isso, libera-se um expressivo ativo até então indisponível devido a disputas judiciais e permite a retomada do pagamento de credores (inclusive trabalhistas), bem como a viabilização de transação tributária.
Conforme o magistrado, o acordo também encerra dez procedimentos judiciais conexos que tramitavam em diferentes esferas de competência. O caso envolve discussões patrimoniais, empresariais e falimentares acumuladas ao longo de décadas.
Também participaram da audiência o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), representado pelo promotor Benhur Biancon Júnior, o síndico da massa falida, empresas auxiliares, advogados e representantes das partes. Eles atuaram de forma conjunta para superação das controvérsias históricas relacionadas ao processo.
O juiz responsável sublinhou que o resultado demonstra a importância da atuação coordenada entre os diversos envolvidos: “A solução consensual evidencia a importância do diálogo institucional na solução de litígios empresariais complexos. Trata-se de um exemplo de que, mesmo em litígios históricos e marcados por múltiplas controvérsias, a cooperação pode viabilizar soluções concretas, e com reflexos relevantes na administração da massa falida e na satisfação dos credores”.
Trajetória
Fundada em 1976, a Companhia Dosul de Abastecimento foi uma importante rede varejista do Rio Grande do Sul. Conhecida por redes estabelecimentos como as lojas Centro Útil e pelos supermercados Dinosul e Poko Preço, a empresa faliu na década de 1990 devido a crises econômicas e teve suas últimas lojas vendidas em 1995.
Há 30 anos, a concordata foi convertida em falência e o caso passou então a concentrar múltiplas demandas judiciais relacionadas à administração da massa, disponibilidade de ativos e interesses de diversos credores. Trata-se de um dos casos falimentares mais complexos já registrados no Estado.
(Marcello Campos)
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