Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de janeiro de 2020
Um número cada vez maior de advogadas tem deixado de trabalhar em bancas tradicionais ou empresas para fundarem escritórios próprios formados apenas por mulheres. O motivo é simples. Elas já representam praticamente metade dos profissionais do país – 581.527 advogadas, ante 592.262 advogados, segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – mas ainda assim estão em desvantagem nos cargos de liderança em escritórios e departamentos jurídicos. As informações são do jornal Valor Econômico.
No Paraná, por exemplo, há 1.841 escritórios formados exclusivamente por mulheres. A OAB do Estado foi a primeira a admitir, em 1994, que as bancas “femininas” utilizassem a nomenclatura “Sociedade de Advogadas”. Na Bahia, já são 712 sociedades formadas apenas por mulheres, no Rio de Janeiro são 609 e no Ceará 353. A maior seccional do país, a de São Paulo, porém, não possui esses dados.
Em 2016, as advogadas e atuantes em movimentos feministas Ana Paula Braga e Marina Ruzzi decidiram fundar o Braga e Ruzzi Sociedade de Advogadas, um dos primeiros do Brasil a se especializar no atendimento de demandas femininas e a defender apenas mulheres. “Não existia nada parecido no mercado e como fazemos parte de movimentos feministas, percebemos que havia uma demanda de mulheres que sofriam violências e que queriam advogadas mais sensíveis a suas causas”, diz Ana Paula. A ideia, segundo a outra fundadora, Marina, foi reunir na banca as diversas áreas do direito, como criminal e família, para assessorar esse público nas mais diversas frentes.
Já Fabíola Marques e Cláudia Abud demoraram 25 anos para concretizar uma vontade existente desde o início da composição da banca: registrar a sociedade como de advogadas. O escritório hoje é denominado Abud Marques Sociedade de Advogadas. “Nosso projeto desde o primeiro momento era realçar que somos advogadas. Na época da fundação, porém, imaginamos que em vez de favorecer, a ideia poderia afastar clientes”, afirma Fabíola. A vontade foi concretizada no 25º aniversário da banca. “Agora, mais do que nunca, existe a necessidade de mostrar para o mundo que conseguimos sozinhas nosso espaço”, diz a advogada que já atuou na presidência da Comissão da Mulher Advogada na OAB-SP e foi a primeira mulher a presidir a Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo.
Ter o nome “advogada” não foi algo fácil. Alguns escritórios encontraram resistência nas seccionais para se registrarem dessa forma. Em novembro de 2018, porém, o Conselho Federal da OAB solucionou a questão e autorizou a inscrição das bancas como Sociedade de Advogados, Advogadas ou Advocacia.
De acordo com a vice-presidente da OAB Paraná, Marilena Winter, embora as mulheres já sejam praticamente metade dos profissionais inscritos também na seccional do Paraná, onde atua, com 35.097 advogadas e 37.252 advogados, ao analisar a quantidade em cargos de direção, os homens ainda representam o dobro. São 5.084 inscritas como sócias, ante 9.532 sócios nas bancas.
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