Sábado, 10 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de outubro de 2026
O advogado do banqueiro Daniel Vorcaro, o criminalista Daniel Bialski, afirmou, nessa sexta-feira (9), que não há depoimento recente do cliente citando suposto repasse de dinheiro para financiar um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi revelada pela revista Veja, que afirma que o dono do Banco Master teria pago R$ 30 milhões ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para a produção de um longa-metragem.
No entanto, de acordo com a publicação, na verdade, o pagamento seria para conseguir acessar os cofres dos fundos de pensão de servidores federais controlados pelo governo Lula. Os valores teriam sido pagos “por fora” ao Instituto Lula, gerenciado pelo diretor e amigo do presidente, Paulo Okamotto. De acordo com Bialski, que assumiu a defesa de Vorcaro em agosto, não há nenhuma declaração recente do cliente sobre esse tema.
“Eu não estava na defesa do Daniel Vorcaro quando foram apresentadas as propostas de colaboração. O que posso afirmar é que ele não prestou nenhum novo depoimento à Polícia Federal discorrendo sobre isso”, disse o defensor ao jornal Correio Braziliense.
Polícia Federal nega
A Polícia Federal (PF) negou a existência de um depoimento no qual o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria dado dinheiro para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. A informação do suposto depoimento foi dada pela revista Veja nessa sexta-feira (9).
“A Polícia Federal esclarece, em relação à reportagem intitulada ‘Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo’, publicada pela revista Veja, nesta sexta-feira (9/10), que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, afirmou a corporação, em nota.
À Agência Brasil, o advogado do ex-banqueiro, Daniel Bialski, disse não ter conhecimento desse suposto financiamento. Ele esclareceu que não estava à frente da defesa de Vorcaro quando as propostas de colaboração foram apresentadas, mas garante não ter havido nenhum novo depoimento à PF ou qualquer outro órgão tratando do assunto.
Bialski afirmou não ter tido acesso a qualquer documento comprovando tal financiamento e ressaltou que seu cliente nunca falou com ele sobre isso.
Diante da notícia da Veja, a Advocacia-Geral da União (AGU) pedirá à publicação o direito de resposta e a correção das informações divulgadas. A AGU entende que houve “divulgação de informações apontadas como inverídicas e gravemente ofensivas a autoridades federais”.
Notícia falsa
O grupo Prerrogativas, formado por juristas do campo progressista, pediu que a Polícia Federal realizasse uma perícia no áudio também divulgado pela Veja, a 16 dias do segundo turno das eleições presidenciais, no qual o ex-banqueiro implica Lula.
“Há suspeitas de que a gravação tenha sido adulterada, mediante montagem de trechos ou uso de inteligência artificial, com a finalidade de interferir no segundo turno das eleições presidenciais”, afirmou o grupo, em nota.
O Prerrogativas acrescenta que não existe informações sobre quando, onde e em quais circunstâncias o áudio teria sido gravado. Além disso, afirmou à PF ter recebido a informação de que o áudio não seria autêntico ou íntegro, “tendo sido produzido por montagem de trechos gravados em contextos diversos ou por síntese de voz, com a finalidade de interferir no processo eleitoral”.
O grupo alerta ainda que, caso comprovada a fraude, os responsáveis poderão responder aos crimes de fraude processual e delitos eleitorais relacionados à divulgação de informações sabidamente falsas.
Dark Horse
O rumor se assemelha ao episódio do dinheiro dado por Vorcaro ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro para ajudar a financiar um filme sobre seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao contrário do que consta na matéria da Veja, a ajuda de Vorcaro a Flávio foi comprovada em um áudio, revelado pelo site Intercept em maio deste ano.
No áudio, cuja veracidade foi confirmada por Flávio Bolsonaro, o próprio senador e candidato à presidência pede dinheiro para custear o filme.
Expressando intimidade e amizade, Bolsonaro pede ajuda para evitar o calote nos atores do filme, inclusive o ator norte-americano Jim Caviezel, que interpreta o personagem principal, e no diretor Cyrus Nowrasteh.
“É porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim, né?”, disse o senador, ainda em setembro de 2025.
Segundo a PF, Flávio pediu R$ 131 milhões a Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos. As informações são do jornal Correio Braziliense e da Agência Brasil.
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