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Notícias Os advogados de Michel Temer afirmam trabalhar de graça: a sua defesa na Câmara dos Deputados é feita por dois famosos criminalistas, que garantem que nada cobram

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Antônio Cláudio Mariz é amigo de Temer há 40 anos. (Foto: AE)

Os advogados do presidente Michel Temer declararam trabalhar de graça para o peemedebista, investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça. Nesta quarta-feira, o criminalista Antônio Cláudio Mariz protocolou na Câmara defesa à denúncia contra Temer por corrupção passiva. Mariz, amigo do presidente há 40 anos, faz dupla com Gustavo Guedes, que advogou também no processo de cassação da chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

“Somos amigos há 40 anos, eu não iria ficar confortável em cobrar. Há uma espécie de norma entre advogados segundo a qual advogado que defende advogado não cobra”, disse Mariz.

Guedes também afirmou que faz o serviço pro bono, ou gratuitamente. Em 2015, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil ) aprovou essa conduta em todo o País, com a ressalva de não ser usada para fins político-partidários ou eleitorais.

A defesa entregue à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara na quarta-feira, sustenta que a denúncia da Procuradoria-Geral da República é “peça de ficção”. Segundo o documento de 98 páginas, Temer determinaria a “imediata prisão” de Joesley Batista, dono da JBS, se tivesse “poderes adivinhatórios”. Contudo, o presidente não se manifestou depois que o delator narrou crimes ao presidente, em conversa gravada no Palácio do Jaburu, à noite, fora da agenda oficial.

No diálogo, em 7 de março, Batista fala sobre a compra de um procurador da República, a manipulação de dois juízes federais e o pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro, ambos presos. Esses subornos teriam o objetivo de impedir que Cunha e Funaro delatassem. O presidente também indica seu ex-assessor especial Rodrigo Rocha Loures para ser interlocutor do empresário. Em 28 de abril, Loures foi flagrado recebendo de um ex-executivo da JBS uma mala com R$ 500 mil, foi preso preventivamente e agora está solto desde a última sexta-feira.

Mariz também argumenta aos deputados que Temer, quando recebeu Joesley na residência oficial, “jamais suporia tratar-se de um criminoso de colarinho branco confesso e detentor de alentada folha de antecedentes”. No entanto, a imprensa havia divulgado que Joesley já tinha sido alvo de três operações da Polícia Federal: Sépsis, Cui Bono? e Greenfield.

O Palácio do Planalto informou que os serviços da jurista criminal Ada Pellegrini e do perito Ricardo Molina foram pedidos pela defesa do presidente, mas não dá mais detalhes. Molina fez perícia da gravação entre Temer e Joesley e contestou o laudo da Polícia Federal. Já Pellegrini atestou em parecer que a gravação é ilegal, apesar de reconhecer que o STF tem entendimento diferente sobre a questão. (AG)

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