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Notícias Advogados deixam defesa de delator após desmentido

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Fernando Moura prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro (foto) e pôs em dúvida trecho de sua delação premiada. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Abr)

Treze advogados que formavam a defesa do empresário Fernando Moura, ligado ao PT e delator da Operação Lava-Jato, deixaram o caso. Em dois documentos anexados aos autos, os criminalistas não explicaram o motivo da saída. Moura foi preso em 3 de agosto do ano passado, na deflagração da Operação Pixuleco, 17ª fase da Lava-Jato. O empresário firmou acordo de delação premiada e foi solto.

No dia 22 deste mês, Moura prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava-Jato na primeira instância. Durante a audiência, o empresário pôs em dúvida trecho de suas próprias afirmações que constavam de sua delação premiada assinada em meados de 2015. Ele corre o risco de perder seu acordo de colaboração.

Durante o interrogatório, o delator foi confrontado por Moro com o que havia dito em sua delação premiada, em agosto. Em determinado momento, o magistrado citou trecho de declaração de Moura no acordo.

“O declarante tem conhecimento que esse arranjo entre a Etesco e Renato Duque permitiu que a Etesco fechasse diversos contratos milionários com a Petrobras; que a Etesco, que era uma empresa de pequeno e médio porte, passou repentinamente a ficar como um player entre gigantes da construção.”

“Falei isso?”, questionou Moura. “Falou”, respondeu Moro. “Assinei isso?”, perguntou o empresário, rindo. “Devem ter preenchido um pouquinho mais do que eu tinha falado. Mas se eu falei, eu concordo”, adicionou. “Não, não é assim que a coisa funciona”, repreendeu Moro. “Se eu falo e depois é colocado no papel, eu nem leio. Eu até pergunto para o advogado, ‘é isso aqui?’. Falou: ‘é’”, afirmou.

Durante a audiência, Moura disse ainda que pagou propina ao PT e que seus contatos sobre valores ilícitos foram feitos com o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira e com o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, preso desde março de 2015. Ele disse ainda que José Dirceu “deu a palavra final” para a indicação de Duque à Petrobras, em 2003, atendendo ao PT-SP.

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