Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de março de 2017
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) prepara novas normas para planos de saúde com coparticipação e franquias, modalidades em que o usuário paga à parte um valor por cada procedimento ou arca integralmente com certas despesas.
Hoje, cerca de 50% dos usuários de planos no País já têm coparticipação ou franquia nos contratos, mas as regras, instituídas antes da criação da ANS, não são claras e foram estabelecidas pelos próprios planos, o que traz riscos para o usuário.
Entre as mudanças que serão discutidas em audiência pública nesta segunda-feira (20) no Rio, há a proposta de limitar em até 40% o valor da coparticipação e isentar exames preventivos e tratamentos de doentes crônicos dessa norma.
Com a crise econômica e a perda de 2,5 milhões de usuários em dois anos, os planos veem nessas modalidades uma forma de cortar custos. Um dos argumentos é que quando o usuário arca com parte do valor de um procedimento, evita usar o sistema de saúde sem necessidade.
Um plano com coparticipação pode custar até 40% menos do que um outro sem ela, o que pode ser um atrativo para determinados grupos, segundo avaliação do setor. Mas é preciso ter cautela. Para Mario Scheffer, pesquisador do mercado da saúde suplementar, esse tipo de plano é alternativa só para a “população jovem e sadia”.
“Para os idosos e doentes crônicos, que precisam recorrer a procedimentos reiteradas vezes, é um péssimo negócio. Fica muito caro.” Na sua opinião, mesmo que se estabeleça regras como limitar a coparticipação, o usuário sempre ficará em situação de vulnerabilidade. “As necessidades de saúde são imprevisíveis.”
Prevenção
Segundo Ana Carolina Navarrete, pesquisadora em saúde do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), as pessoas não têm condições de planejar a longo prazo os custos com a saúde. “É transferir para o consumidor uma responsabilidade que não é dele. Ninguém pode prever quando ficará doente e quanto isso vai custar.”
Outro problema do plano com coparticipação, segundo ela, é não privilegiar ações de prevenção. “As pessoas retardam a procura por serviços de saúde, só acionam quando têm algum problema mais sério e evidente.” (Folhapress)