Segunda-feira, 13 de julho de 2026
Por Gisele Flores | 13 de julho de 2026
Primeiro Dia ConBAP e ICPA.
Foto: Retratte Fotografia Divulgação.
O primeiro dia do 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital (ConBAP) e da 17ª International Conference on Precision Agriculture (ICPA), realizado nesta segunda-feira (13) no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre, destacou o avanço tecnológico do agronegócio brasileiro e os desafios para transformar dados em decisões de manejo.
Na abertura, o presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão e Digital (AsBraAP), Márcio Albuquerque, ressaltou o caráter histórico da realização conjunta dos dois eventos e o simbolismo de sediar, pela primeira vez fora da América do Norte, a principal conferência mundial da área. Ele lembrou que a AsBraAP completa dez anos em 2026 e que o congresso foi concebido como espaço de troca de experiências e demonstração da evolução tecnológica do setor.
O presidente da International Society of Precision Agriculture (ISPA), Steve Phillips, reforçou que a decisão de trazer o evento para outro continente marca um processo de internacionalização da entidade. Segundo ele, a ISPA reformulou sua estrutura de governança e ampliou a representatividade global, com diretores em todos os continentes e aumento de 25% no número de membros ativos. “Esse avanço reflete o engajamento da comunidade científica e a qualidade das contribuições técnicas voltadas ao desenvolvimento da agricultura de precisão”, afirmou.
Em sua palestra, Albuquerque traçou um panorama da agricultura brasileira, lembrando que o país era importador de alimentos até os anos 1960 e passou a se tornar potência agrícola com o avanço da pesquisa e da tecnologia, impulsionado pela criação da Embrapa. Ele destacou o papel do Rio Grande do Sul como pioneiro na adoção de práticas de precisão e a importância da integração entre produtores, pesquisadores e empresas para consolidar o modelo digital de produção.
O professor José Paulo Molin, da Esalq/USP, apresentou dados sobre o uso de tecnologias de precisão na América Latina. No Brasil, 86% dos produtores consultados utilizam ferramentas digitais na aplicação de calcário, mas o índice cai quando se trata de agroquímicos. Molin alertou para a dependência de fertilizantes importados e defendeu o uso mais eficiente dos insumos. “Somos altamente dependentes de fertilizantes. Este seria o momento de fazer um bom uso desses produtos”, afirmou.
O pesquisador também abordou o desafio das pequenas propriedades, que somam cerca de 4 milhões no país. Segundo ele, muitas ainda tratam o solo de forma uniforme, sem considerar variações de produtividade. “Os dados estão sendo coletados, mas não estão acertando o alvo. Precisamos falar sobre precisão, e agora”, enfatizou.
A programação seguiu com o painel sobre o cenário europeu, apresentado pelo pesquisador italiano Davide Cammarano, especialista em agroecologia e modelagem de culturas, e com a análise do contexto norte-americano conduzida por Simerjeet Virk, da Auburn University, que abordou o papel da extensão rural e dos sistemas de máquinas agrícolas na disseminação da agricultura digital.
O primeiro dia do ConBAP e da ICPA consolidou Porto Alegre como centro de debates sobre inovação e sustentabilidade no agronegócio, reunindo especialistas de diversos países para discutir o futuro da agricultura de precisão e o uso inteligente dos dados no campo. (por Gisele Flores)
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