Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de dezembro de 2017
Uma parcela do PT acredita, e defende, que Lula busque para vice um nome do mercado para amenizar a imagem de “radical” que voltou a ter para parte dos empresários. A torcida recai sobre Luiz Trabuco, do Bradesco – apesar das enormes dificuldades previstas para convencê-lo a topar a parada.
O presidente do Bradesco disse a amigos que não tem qualquer pretensão política e que suas prioridades estão direcionadas ao Bradesco, como há mais de 45 anos.
Seria um repeteco de 2002, quando Lula escolheu José Alencar, da Coteminas, para ser seu vice.
Reforma
“Já saímos do fundo do poço”, dizia, em novembro, Luiz Carlos Trabuco, numa sala no 36º andar de um hotel em Nova York. “Não vou dizer que tem uma mola no fundo desse poço que impulsiona para o alto, mas os sinais são concretos.”
É mais ou menos esse o discurso que diretores de um dos maiores bancos do Brasil vêm repetindo em reuniões para atrair investidores estrangeiros de volta ao mercado nacional na saída da recessão.
E o rumo de volta à superfície, na visão de Trabuco e outros no comando do Bradesco, passa por esses investimentos diretos do setor privado e por privatizações, “independentemente de ideologia”, nas palavras do presidente.
“Sem esse investimento externo, o Brasil não vai ter recursos”, afirmou. “Independentemente se é concessão ou privatização, a gente precisa ter um compromisso irreversível com esse tema. A privatização, as concessões têm de ser sérias, opções definitivas. E elas só podem ser definitivas se forem inquestionáveis.”
Trabuco defende, em suma, um governo que “acredite que o investimento privado é o motor da economia”. Mas, além das eleições imprevisíveis de 2018, o desafio mais imediato ao crescimento da economia é a reforma da Previdência. “A reforma precisa estar no gerúndio, vamos reformando a Previdência”, disse o executivo. “A reforma possível é a mais necessária que temos agora.”
Desfaçatez
Lula afirmou que nenhum presidente eleito teria “coragem” de executar a agenda pautada pelo governo Temer. “Nenhum presidente da República que fosse eleito teria a desfaçatez de fazer o que o Temer está fazendo. Eles queriam que a Dilma fizesse e ela se recusou. Por isso tiraram ela”, avaliou.
Lula citou a reforma trabalhista como exemplo e criticou a medida que permite o trabalho intermitente. “O que fizeram com a reforma foi um crime. Criaram um tal de trabalho intermitente em que o trabalhador nunca vai saber quanto vai ganhar no fim do mês. Rasgaram tudo que foi feito em 1943”, analisou. Para o ex-presidente, trabalhadores não sentirão os efeitos da reforma “nem hoje, nem amanhã”, mas “ao longo do tempo”.
Sobre a Previdência, Lula criticou o modelo proposto pelo atual governo, que em breve deve ser analisado pelo Congresso. “Você não pode jogar a culpa da crise econômica no aposentado. A previdência foi superavitária de 2004 a 2014 porque geramos emprego, aumentamos o mínimo, formalizamos as domésticas. Tem que gerar empregos pra gerar contribuição”, ressaltou.
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