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Política Além de Flávio Bolsonaro: saiba o que faz de Miami um refúgio seguro para políticos que fogem da América Latina

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Afinidade hispânica, mídia e conexões aéreas tornam a cidade ideal para políticos latino-americanos. (Foto: Terdag Media)

Ao chegar a Miami, na quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro passou a integrar uma lista de políticos latino-americanos que encontraram na região do sul da Flórida um local de refúgio diante de crises políticas, processos judiciais ou ameaças em seus países de origem. A cidade americana tornou-se um importante destino para lideranças da Venezuela, Cuba, Nicarágua e Panamá, especialmente aquelas identificadas com movimentos de oposição a governos de esquerda.

Flávio deixou o Brasil após a derrota eleitoral de domingo (25) para Luiz Inácio Lula da Silva e em meio a uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, na qual as autoridades brasileiras solicitaram a entrega de seus passaportes. Na noite de terça (27), ele atravessou a fronteira terrestre com a Argentina, acompanhado da esposa e das duas filhas. De lá, embarcou em um avião particular, fez escala no Equador e seguiu para Miami. Já nos Estados Unidos, divulgou uma declaração na qual contestou o resultado eleitoral e se autoproclamou o legítimo presidente eleito do Brasil.

A presença de políticos latino-americanos na região não é recente. Miami reúne grandes comunidades de imigrantes e mantém conexões aéreas diretas com dezenas de cidades do Caribe, da América Central e da América do Sul. Além da localização estratégica, a cidade oferece uma estrutura consolidada de serviços jurídicos, financeiros e de comunicação, facilitando a adaptação de pessoas que deixam seus países.

Para Guilherme Casarões, professor de ciência política da Universidade Internacional da Flórida, Miami funciona como um centro político e estratégico para lideranças exiladas. Ele destaca que a chegada de cubanos contrários ao regime de Fidel Castro, a partir da década de 1960, contribuiu para consolidar na cidade um ambiente de forte anticomunismo e inclinação política à direita. Nesse contexto, muitos exilados latino-americanos encontram apoio em comunidades que compartilham suas posições ideológicas.

Outro fator é a influência do presidente americano Donald Trump no sul da Flórida. Sua residência e clube privado Mar-a-Lago, em Palm Beach, tornou-se um importante ponto de encontro político e de articulação entre lideranças conservadoras. Segundo especialistas, a familiaridade cultural, o idioma e a proximidade com outros países também fazem com que Miami seja vista por muitos exilados como uma extensão de seus locais de origem.

Entre os políticos que estabeleceram vínculos com a região está Juan Guaidó, ex-líder da oposição venezuelana que se autoproclamou presidente interino em 2019, durante a crise política contra Nicolás Maduro. Ele chegou a Miami em 2023, após deixar a Colômbia, e continuou a denunciar o governo venezuelano. Outro caso é o do cubano José Daniel Ferrer, importante dirigente dissidente que chegou à cidade no ano passado, depois de ser libertado da prisão a pedido do governo americano. Sua saída representou uma perda para a oposição cubana, pois ele era um dos poucos líderes que ainda permaneciam no país.

Também chama atenção a trajetória do ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli, que governou o Panamá entre 2009 e 2014. Ele deixou o país em 2015, diante de investigações por corrupção e espionagem ilegal, e posteriormente foi preso nos Estados Unidos, a pedido das autoridades panamenhas. Extraditado em 2018, foi absolvido da acusação de espionagem em 2019. Em 2024, recebeu condenação de dez anos por desvio de recursos e, no ano seguinte, obteve autorização para seguir para a Colômbia.

Outro nome conhecido é Félix Maradiaga, opositor do governo de Daniel Ortega na Nicarágua. Pré-candidato à Presidência em 2021, ele foi preso e libertado em 2023, quando seguiu para os Estados Unidos com outros cerca de 200 presos políticos. Após a libertação, teve a cidadania nicaraguense cassada e passou a organizar atividades de oposição a partir de Miami, mantendo articulações com dissidentes que permanecem no país.

Os exemplos mostram como o sul da Flórida se consolidou como espaço de acolhimento e articulação política para lideranças latino-americanas afastadas de seus países. Nesse ambiente, a chegada de Flávio Bolsonaro aproxima o senador de uma rede de exilados e grupos políticos conservadores que mantêm influência sobre os debates regionais. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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