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Política Alexandre de Moraes acusa André Mendonça de agir “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe no País”; ministro rebate: “Você mente”

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Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e Alexandre de Moraes protagonizaram uma dura discussão durante a sessão do tribunal nessa terça. (Foto: Alejandro Zambrana/STF)

Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram uma dura discussão durante a sessão do tribunal nessa terça-feira (15) que analisa o relatório da Polícia Federal que aponta Moraes como interlocutor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Moraes acusou o colega de ter pedido, durante reunião com a PF, que ele fosse incluído em um acordo de colaboração premiada, a chamada delação, e de agir “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país”. Mendonça negou as afirmações e disse que Moraes estava mentindo.

“Mentira. Mentira”, repetiu o magistrado mais de uma vez. “Você mente.”

Segundo Moraes, a sessão é resultado de uma “investigação fraudulenta” contra ele. O ministro defendeu que “não dá julgar uma coisa sem outra”, em possível referência ao julgamento do processo que investiga supostas irregularidades por parte de Mendonça, marcado para o dia 23.

“Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada?”, disse Moraes, que é relator da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – responsável por indicar Mendonça ao Supremo.

Os investigadores recusaram, em maio, uma proposta de delação de Vorcaro por considerar que as informações apresentadas pelo ex-banqueiro são insuficientes. A PGR (Procuradoria-Geral da República) também descartou um acordo do tipo.

Ao interromper Moraes, Mendonça afirmou que “não é questão de medo”. Nesse momento, a discussão escalou. “Eu não estou perguntando a Vossa Excelência”, disse o outro magistrado. “Mas eu estou lhe respondendo”, declarou, em réplica.

Moraes pediu então ao presidente do STF, Edson Fachin, a convocação de testemunhas, como agentes da PF e advogados, que poderiam, segundo ele, corroborar com sua versão. “Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam…’”, disse.

Também sugeriu ouvir os investigadores responsáveis pelo relatório da PF que coloca ele como interlocutor do Vorcaro.

Mendonça novamente interveio e disse que poderia “chamar quem quiser”, mas que essas pessoas mentiriam. Ele declarou que não iria mais responder e que usará seu momento de fala durante a sessão para se pronunciar.

A sessão inédita do STF (Supremo Tribunal Federal) que avaliaria a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso do Banco Master foi suspensa nessa terça após pedido de Flávio Dino e uma série de confrontos e ofensas trocadas entre os ministros que integram a cúpula do Judiciário brasileiro.

A exposição pública, com transmissão televisiva, do racha na Suprema Corte se estendeu por mais de cinco horas de discursos — e um total de quase oito horas dedicadas ao tema, incluído um intervalo para almoço.

Depois de ouvir críticas dos colegas à condução do processo e não conseguir chegar à votação do tema proposto, Edson Fachin, presidente do STF, suspendeu a discussão diante do pedido de vista (mais tempo para análise) de Dino, que pode durar até 90 dias, com tendência de retomada apenas no fim do ano, depois das eleições. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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