Segunda-feira, 09 de março de 2026
Por Redação O Sul | 9 de março de 2026
O gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nota negando que ele tenha frequentado a casa do banqueiro Daniel Vorcaro em Trancoso (BA). A informação foi publicada no fim de semana pelo blog do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. A nota trata especificamente de viagens particulares com Vorcaro e não informa se ele já esteve com o banqueiro em outros lugares.
Moraes está sob pressão em razão da revelação de diálogos entre ele e o banqueiro no dia da primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro do ano passado, e em razão de um contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua mulher, Viviane Barci, com o Banco Master.
“O gabinete do ministro Alexandre de Moraes informa que é integralmente falsa a afirmação publicada pelo blog de Lauro Jardim, no portal ‘O Globo’, de que o ministro tenha frequentado a casa de Vorcaro em Trancoso (BA). O ministro jamais realizou qualquer viagem particular com Daniel Vorcaro para qualquer destino”, diz a nota divulgada pela assessoria de imprensa do Supremo.
O ministro destacou ainda que “nunca esteve na propriedade” e que não é possível vincular sua agenda pessoal ou profissional a encontros com Vorcaro. “Lamenta-se a publicação de informações baseadas em premissas fáticas inexistentes, sem a devida verificação da realidade dos fatos”, conclui.
Notas anteriores enviadas por Alexandre de Moraes deixam lacunas sobre os diálogos com Daniel Vorcaro e não explicaram os prints que teriam sido enviados pelo banqueiro para ele no dia da prisão.
Segundo o magistrado, os arquivos da Polícia Federal (PF) compartilhados com a CPI do INSS seguem uma estrutura na qual os prints de texto são armazenados nas mesmas pastas em que constam os dados dos contatos das pessoas para quem o banqueiro os enviou.
Contudo, dos sete prints registrados com data de 17 de novembro de 2025, dia da primeira prisão de Vorcaro, quatro estão em pastas sem nenhum outro documento. Entre eles, o print da mensagem na qual o banqueiro escreveu: “Fiz uma correria pra tentar salvar”. Só três estão em pastas que também carregam arquivos de contatos de outras pessoas.
Peritos da Polícia Federal disseram, sob condição de anonimato, que o fato de os arquivos estarem ou não numa mesma pasta não tem relação com o vínculo entre eles nas conversas.
O programa usado pela PF para organizar os dados, que foi compartilhado com a CPMI para que os parlamentares fizessem as próprias análises, tem uma forma própria de organização dos arquivos em pastas brutas.
Segundo os peritos, em geral os arquivos se agrupam quando o hash (sequência de vários dígitos que formam uma espécie de “impressão digital” do arquivo) iniciam da mesma forma. Ou seja, um arquivo associado à pasta contato não foi, necessariamente, enviado para aquele contato.
Pelo parâmetro adotado por Moraes, a destinatária da mensagem em que Vorcaro questiona “alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, enviada às 17h26 do dia 17 de novembro de 2025, quando ele foi preso, seria a advogada Viviane Barci de Moraes, sua mulher, e não o próprio ministro.
Viviane, porém, nega ter recebido a mensagem do banqueiro, enfraquecendo o argumento. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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