Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de maio de 2023
A explosão de dois drones sobre um dos palácios do Kremlin, sede do governo russo e residência oficial do presidente Vladimir Putin, levou o círculo de aliados mais próximos do mandatário a discutir abertamente o assassinato do líder ucraniano Volodymyr Zelensky – ou mesmo a destruição em proporções ainda maiores da Ucrânia.
Putin, que tem a última palavra sobre as ações da Rússia, está ciente do dilema que enfrenta: o ultranacionalismo russo espera uma resposta dura ao ataque, mas uma escalada assustaria até os seus maiores parceiros. Diante do imbróglio, Moscou tem poucos meios de demonstração de poder – afinal, as cidades ucranianas já são alvos de mísseis há meses –, ao menos que adote uma resposta que cruzaria todas as linhas vermelhas da comunidade internacional.
“Depois do ataque terrorista de hoje [quarta-feira], não há outra opção senão eliminar fisicamente Zelensky e o seu bando”, afirmou o vice-presidente do Conselho de Segurança russo, o ex-presidente Dmitry Medvedev. As suas palavras foram publicadas na quinta-feira por contas oficiais do Ministério de Relações Exteriores russo.
Um dos maiores agitadores da televisão russa, Vladimir Solovyov, afirmou em seu programa — um dos mais assistidos no país — que nada pode salvar Zelensky, assim como nada salvou o general iraniano Qasem Soleimani de ser morto pelos Estados Unidos em 2020.
“Não devemos nos preocupar com o país em que ele está, nem com o fato da Holanda [que Zelensky visitou na quinta-feira] ser membro da Otan”, sublinhou Solovyov.
A vida de Zelensky corre perigo desde o início da guerra. Segundo o jornal Times, centenas de combatentes chechenos tentaram se infiltrar em Kiev, em fevereiro do ano passado, para derrubar o líder ucraniano. O fracasso da operação cimentou a resistência ucraniana desde então.
Mas essas não foram as únicas ameaças contra a Ucrânia e o seu líder proferidas nas últimas horas por aliados de Putin.
“Não pode haver negociações com o regime de Zelensky. Exigiremos o uso de armas capazes de travar e destruir o regime terrorista de Kiev”, disse na quarta-feira Vyacheslav Volodinol, presidente da Duma, Câmara baixa do Legislativo russo.
“A Rússia responderá de acordo com a sua avaliação sobre a ameaça que Kiev criou para a liderança do nosso país”, afirmou o Ministério de Relações Exteriores russo em comunicado.
Na escalada das hostilidades verbais, o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, acusou os EUA de orquestrarem o ataque.
“Sabemos muito bem que as decisões sobre essas ações, sobre esses ataques, não são tomadas em Kiev, mas em Washington. E Kiev faz o que lhe mandam fazer”, disse o representante do Kremlin.
A China, principal parceiro de Moscou, pediu calma diante do risco de escalada das tensões.
“Todas as partes devem evitar tomar medidas que possam agravar ainda mais a situação”, disse a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Mao Ning, segundo a agência de notícias Efe.
Por outro lado, o representante da União Europeia para Relações Exteriores, Josep Borrell, disse acreditar em Kiev, que afirmou não ter cometido os ataques, e instou a Rússia a “não utilizar esse suposto ataque como argumento para uma nova escalada”.
Os Estados Unidos negaram as acusações de Peskov.
“Ele está simplesmente mentindo”, respondeu o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby. “Posso assegurar a vocês que os Estados Unidos não estão envolvidos nisso — acrescentou, afirmando que “ainda não sabemos o que realmente aconteceu.”
Washington tenta há algum tempo impedir que Kiev ataque o território russo, que até agora tiveram como alvos apenas depósitos de combustível e bases militares. De acordo com documentos da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, aos quais o jornal The Washington Post teve acesso, Kiev “aceitou, a pedido de Washington, adiar os ataques” que planejam realizar em Moscou no aniversário de um ano da guerra.
Em outubro do ano passado, o The New York Times noticiou também que os serviços secretos americanos suspeitavam que a Ucrânia poderia estar por trás do assassinato da filha do filósofo ultranacionalista russo Alexander Dugin. As informações são do jornal El País.
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